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Dólar cai e volta a ficar abaixo de R$ 2,40

O dólar fechou em leve queda nesta sexta-feira, após chegar a bater R$ 2,43 na máxima do dia, acompanhando o movimento visto em outros mercados emergentes com a forte onda de aversão de risco vista desde a véspera perdendo força. Com isso, terminou o dia abaixo de R$ 2,40, importante nível de resistência, reforçando as […]

Arquivo Publicado em 24/01/2014, às 23h18

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O dólar fechou em leve queda nesta sexta-feira, após chegar a bater R$ 2,43 na máxima do dia, acompanhando o movimento visto em outros mercados emergentes com a forte onda de aversão de risco vista desde a véspera perdendo força. Com isso, terminou o dia abaixo de R$ 2,40, importante nível de resistência, reforçando as avaliações de que o Banco Central brasileiro não aumentará suas intervenções no mercado cambial a fim de evitar que eventuais mais valorizações da moeda americana pudessem pressionar ainda mais a inflação O dólar recuou 0,19%, a R$ 2,3980 na venda. Na máxima do dia, chegou a subir cerca de 1,3%, a R$ 2,4335. Segundo dados da BM&F, o giro financeiro ficou em torno de US$ 1,8 bilhão.

“O dólar havia subido demais. Agora está voltando, com o pessoal reavaliando um pouco os fundamentos”, afirmou o operador de câmbio da corretora B&T Marcos Trabbold.

Na véspera, a divisa norte-americana já havia fechado com alta acima de 1%, voltando à casa de R$ 2,40 reais, após a Pimco – maior gestora de bônus em mercados emergentes – fazer duras críticas à política econômica do Brasil. Foi o maior nível de fechamento da moeda americana desde 22 de agosto, quando o BC anunciou o programa de intervenções diárias e o dólar era negociado na casa dos R$ 2,43.

Os mercados cambiais nos países emergentes começaram o dia com forte aversão ao risco, levando o dólar a subir fortemente contra essas moedas. A preocupação tinha origem, entre outros motivos, nas incertezas diante do processo de retirada do estímulo econômico dos Estados Unidos, que deve reduzir ainda mais a oferta de liquidez global.

O cenário de ansiedade é corroborado pelo mau desempenho das contas externas do país. O déficit em transações correntes do Brasil em 2013 foi recorde e não foi financiado pelos Investimentos Estrangeiros Diretos (IED) pela primeira vez desde 2001.

No entanto, no final da manhã, o avanço do dólar ante as parte das moedas emergentes perdeu força e passou a se concentrar nos mercados considerados mais vulneráveis, como Turquia e Argentina. A moeda americana avançava cerca de 0,3% sobre o peso mexicano, após subir mais de 1,5% mais cedo.

“Argentina, Turquia e África do Sul estão sob tremenda pressão, que ainda não perdeu força”, escreveram os analistas do Scotiabank, em relatório, Camilla Sutton e Eric Theoret. “Fora dos (países) mais vulneráveis, há sinais limitados de pânico”.

Na véspera, o peso argentino fechou em queda de 11% ante o dólar, maior declínio diário desde a crise financeira de 2002 e, nesta sexta-feira, o governo anunciou que afrouxará os controles cambiais.

Segundo analistas, existe a possibilidade de que os problemas cambiais na Argentina gerem algum impacto no Brasil, mas não devem ser o fator principal por trás dos próximos passos do real.

“Como a gente sabe, Brasil exporta muito para a Argentina, a Argentina exporta muito para o Brasil, então esse tipo de contágio pode acontecer”, disse o economista do BBVA Enestor dos Santos.

Sem mais BC

Em função da forte alta do dólar ante o real na primeira parte da sessão, analistas chegaram a considerar que o BC poderia intensificar a atuação nos mercados para evitar mais valorização da divisa americana. Contudo, essa hipótese perdeu força à medida que movimento se esvaiu e o dólar voltou a patamares mais confortáveis.

“Agora que voltou abaixo de R$ 2,40, é praticamente dado que o BC não vai precisar fazer intervenções a mais”, afirmou o operador de uma corretora internacional.

Nas últimas semanas, o dólar ficou praticamente “preso” a uma banda informal, entre R$ 2,35 e R$ 2,40, tida pelos especialistas como útil para ajudar nas exportações brasileiras mas que não alimenta a inflação.

Nesta sessão, o BC deu continuidade às intervenções diárias vendendo a oferta total de 4 mil swaps tradicionais – equivalentes a venda futura de dólares – com vencimento em 1º de setembro. A autoridade monetária também ofertou swaps com vencimento em 2 de maio, mas não vendeu nenhum.

O BC também fez nesta sessão a sétima etapa de rolagem dos swaps que vencem em 3 de fevereiro, vendendo a oferta total de 25 mil contratos. Com isso, já rolou pouco menos de 80% do lote total, equivalente a US$ 11,028 bilhões.

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