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Baterista de 74 anos, Tio Biga segue firme e forte pelos bares de Campo Grande

São tantos anos dedicados à música que ao ser questionado desde quando toca, Tio Biga coça a cabeça e explana: Vixe! Já nem lembro mais. Acho que foi em 1961 que comecei lá no Paraná. O paraibano, de 74 anos, saiu do Nordeste porque não queria trabalhar na roça. No Sul foi aprender bateria para […]

Arquivo Publicado em 02/10/2014, às 12h12

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São tantos anos dedicados à música que ao ser questionado desde quando toca, Tio Biga coça a cabeça e explana: Vixe! Já nem lembro mais. Acho que foi em 1961 que comecei lá no Paraná. O paraibano, de 74 anos, saiu do Nordeste porque não queria trabalhar na roça. No Sul foi aprender bateria para não ter de colher algodão.

Da fuga surgiu a paixão, e quando viu virou músico e não tinha mais como escapar de tudo aquilo ali. Estava envolvido, completamente envolvido, e vendo os outros tocarem, aprendeu também. De lá para cá são 53 anos dedicados à bateria e à percussão.

Verdadeira lenda da bateria em Mato Grosso do Sul, tio Biga diz que de início tocou na banda do Exército (apesar de não ter servido) e na banda municipal de Cascavel. Era início dos anos 60 e ele começava a aprender a profissão.

Talentoso, logo foi convidado para tocar em conjunto musical. E de baile em baile foi morar no Rio Grande do Sul e até parar aqui, de onde nunca mais saiu. “Um dia vim tocar aqui com os ‘Filhos da Vacaria’. O conjunto que eu tocava. Era 1979. Toquei com eles até 1993 e nunca mais fui embora de Mato Grosso do Sul”, diz.

“Hoje me sinto sul-mato-grossense”, completa.

Sucesso x Família

Com o conjunto de origem gaúcha, ele fez sucesso e rodou o país levando muito chamamé por onde passava. No Estado andou quase todo. Na América Latina passou pela Argentina, Paraguai, Bolívia e Chile. Eram tantos bailes que, às vezes, ele ficava dias e dias viajando. “Eram bons tempos aqueles”, lembra.

Depois vieram os filhos, e já não dava mais para ficar na estrada o tempo todo. “Eu não tinha nenhum passarinho que dependia de mim”, diz.

Aos poucos foi deixando a estrada e tocando mais pelos bares da cidade. Ele diz que não tem bar que não tenha tocado em Campo Grande. Um dos que lembra com carinho se chamava Chuá. “Faz muito tempo. Lembro que o bar chamava Chuá, toquei muito nesse lugar”, diz.

Ainda hoje, os bares são ponto certo para encontrar Tio Biga. Cantina Mato Grosso, Pantanartes e Lá na Madá são alguns dos locais que o baterista costuma marcar presença. Animado, toca a noite inteira. “Eu gosto”, diz rindo.

A filha Simone é a grande incentivadora do pai. Ela leva, busca, carrega a bateria. “Ela é minha parceira. Ajuda mesmo”, se derrete.

Na estrada, mas, só às vezes

Como bom músico que começou na estrada, ele confessa que de vez em quando não aguenta e cai pelo mundão. Um dos lugares que costuma ir tocar é Ilha Solteira, no interior paulista. E justifica: é que tenho parentes lá.

Mas das últimas viagens que lembra com carinho está uma que foi para Belém do Pará e Glória do Oeste, perto de Cáceres, em Mato Grosso. “Encontrei até a Maria Cecília e o Rodolfo lá. Quando me viram foi uma festa. Já vieram, Tio Biga!”, conta.

O bigode

E para fechar essa história a gente não poderia deixar de contar porque Tio Biga? É que quando ele era novo, e tocava no “Filhos da Vacaria” usava bigode. O bigode foi embora  com as roupas pilchadas, mas o apelido ficou e até hoje Gerson Machado é simplesmente Tio Biga.

Jornal Midiamax