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Após sexo em sala de aula, diretoras de escola são afastadas

Depois que um aluno do ensino médio da escola estadual Padre Antonio Jorge Lima, em Bauru, no interior de São Paulo, filmou dois professores fazendo sexo em sala de aula, a Secretaria Estadual da Educação decidiu trocar o comando da unidade de ensino.’ Em um comunicado, a assessoria do órgão informou que “a partir da […]

Arquivo Publicado em 20/09/2014, às 00h39

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Depois que um aluno do ensino médio da escola estadual Padre Antonio Jorge Lima, em Bauru, no interior de São Paulo, filmou dois professores fazendo sexo em sala de aula, a Secretaria Estadual da Educação decidiu trocar o comando da unidade de ensino.’

Em um comunicado, a assessoria do órgão informou que “a partir da próxima semana, a gestão da unidade será reformulada, uma vez que diretora e vice não estarão mais no cargo”. Ainda de acordo com a secretaria, uma equipe de supervisores foi designada pela diretoria regional para averiguar a conduta dos funcionários e da direção da escola.

No início de setembro, durante o intervalo das aulas, o adolescente de 16 anos registrou o casal de professores mantendo relações sexuais em uma das salas da aula da unidade, durante o intervalo. De acordo com o pai do estudante que fez o vídeo, o menino desconfiou que os dois professores se encontravam durante o intervalo quando voltou à sala para pegar dinheiro na mochila e foi impedido de entrar pelo docente.

O caso veio à tona depois que uma menina de 11 anos, que estuda na mesma escola, diz ter sido abusada sexualmente. O fato aconteceu na última segunda-feira. A criança foi abordada no corredor da unidade por seis alunos. Enquanto um tapava a boca dela, os demais acariciaram suas partes íntimas. A família da menina procurou a Polícia Civil, que investiga o caso.

A reportagem do Terra conversou com uma adolescente de 17 anos, aluna do ensino médio na mesma escola. Ela diz que o fato assustou os alunos. “Nunca nenhum aluno viu dois professores sequer se beijando. A gente desconfiava que os dois professores eram muito grudados, mas nada desse tipo”, conta. A adolescente diz que os alunos desconfiavam da relação entre os dois professores, mas encaravam como brincadeira: “nunca que a gente desconfiou que eles poderiam fazer isso na sala de aula”.

De acordo com a aluna, faltam professores na unidade. “A escola está meio perdida. Quando tem (professor), é um professor de uma matéria que tem que cobrir o horário de outro. Falam que não é culpa da escola e sim porque não acham professores”, disse.

Um professor, que se diz colega do docente envolvido no escândalo, critica a proporção que o caso ganhou. “É polêmica essa situação por causa deste falso moralismo da sociedade de cobrar do professor ‘postura’, mas os pais deixam essas mesmas crianças assistirem conteúdo impróprio para eles na TV. É uma sociedade bem hipócrita”, critica.

Em relação ao caso da menina de 11 anos que teria sido abusada, a adolescente que conversou com a reportagem do Terra conta que os alunos também se assustaram. “A grande maioria da escola é aluno de periferia, bairro pobre. Não tem nenhum tipo de educação sexual, palestra, preocupação com esse tipo de coisa”, reclama.

“Os próprios alunos estão discriminando a vítima, falam que hoje em dia com 11 anos de idade muita garota já é safada. Se houvesse um diálogo com os alunos todo mundo ia entender, parar com as piadinhas e apoiar a menina”, lamenta.

Apeoesp fala em falência da instituição

A diretora estadual do Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo (Apeoesp) Suzi da Silva, afirma que os professores envolvidos no caso não são militantes do sindicato e revelou ter sido surpreendida com o fato. “Independente de eles serem ou não militantes do sindicato, trata-se de dois professores. Para entender o que aconteceu naquela sala de aula é preciso conhecer a realidade do ensino na unidade escolar”, afirma.

Para Suzi, a escola tem um histórico de problemas estruturais e indisciplina que acabam agravando a situação. “Quando a instituição entra em falência, tudo pode acontecer. Não deveria ter acontecido, mas é preciso entender que o professor anda desmotivado e desvalorizado”, reclama.

Ela conta que conhece os dois professores envolvidos no escândalo e garante que a conduta profissional dos dois é uma das melhores. “São excelentes profissionais, é preciso entender os motivos que os levaram a protagonizar tal cena”, finaliza.

Jornal Midiamax