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A partir da costura, mulheres resgatam habilidades perdidas e aprendem a alinhavar a vida

“Viver é um rasgar-se e remendar-se” já dizia Guimarães Rosa. A vida é um alinhavo, como um patchwork, onde as partes vão sendo juntadas e formando uma só. É assim, que entre linhas, agulhas, retalhos e muita conversa um grupo de mulheres de Campo Grande se reúne para muito mais que aprender a costurar tecidos, […]

Arquivo Publicado em 02/06/2014, às 15h55

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“Viver é um rasgar-se e remendar-se” já dizia Guimarães Rosa. A vida é um alinhavo, como um patchwork, onde as partes vão sendo juntadas e formando uma só. É assim, que entre linhas, agulhas, retalhos e muita conversa um grupo de mulheres de Campo Grande se reúne para muito mais que aprender a costurar tecidos, aprende a remendar a vida.

Os encontros que acontecem aos sábados já foram até batizados: ‘Coisas de Amigas’. E é isso que elas fazem, conta Lara Scalise, doutora em educação, arte-terapeuta e psicóloga, de 42 anos, que , com a sócia Simone Esteves Fachini, que também é psicóloga, ensina as mulheres a costurarem e a desenvolverem aptidões perdidas.

Lara conta que quando se casou em 1998 comprou uma máquina de costura. Na época, a já amiga, Simone, brincou e disse que isso era coisa de gente velha. Passado dez anos, Simone passou a se interessar pela costura e quando viram as duas estavam desenvolvendo oficinas juntas, usando a técnica, como pano de fundo para outras habilidades.

Simone diz que a proposta não é especificamente fazer as mulheres verem o mundo de forma diferente, mas observa pelo feedback das alunas, que isso acontece. “A proposta diretamente não é essa, mas vemos pela verbalização das alunas que isso acontece”, diz, sobre a nova forma de as pessoas verem a vida.

Dôra Gerb, de 50 anos, professora de Enfermagem na UFMS (Universidade Federal de Mato Grosso do Sul), conta ter procurado a oficina para relaxar do estresse diário. A rotina de planejamento de aula, correção de provas, de trabalhos é desgastante, diz. Mas nada que uma sentada na máquina de costura não resolva. “Quando estou muito estressada paro. Sento na máquina e costuro. Abstraio tudo e fico pronta para a próxima”, afirma.

Ela conta que a costura a ensinou a ficar mais tranquila e ter mais disposição para outras coisas. Assim, o dia fica mais leve e produtivo.

Convidada pela amiga, a também docente de Enfermagem, Cristina Brandt Nunes, de 52 anos, começa a participar dos encontros agora. Ela diz que quer desenvolver coisas diferentes, que não faria em outros lugares. “Fiz uma oficina com a Lara que me despertou a criatividade. Agora quero fazer coisas que não faria no meu dia-a-dia. Não sou muito habilidosa, mas acredito que posso aprimorar isso. Todo mundo pode”, finaliza.

Os encontros acontecem aos sábados no Ateliê de Lara que fica na Rua 7 de Setembro, 1.758. Mais informações 9860-1400.

Jornal Midiamax