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Scolari e o ministro do Esporte reconhecem que torcedor brasileiro está distante da seleção

Após reconhecer que nunca tantos brasileiros declararam torcer contra a seleção brasileira de futebol, o técnico Luiz Felipe Scolari defendeu a atuação dos jogadores que têm vestido a camisa da equipe e atribuiu à comissão técnica a responsabilidade pelas críticas ao desempenho do time e pelo distanciamento de muitos torcedores. “Nós que trabalhamos para motivar […]

Arquivo Publicado em 24/01/2013, às 19h00

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Após reconhecer que nunca tantos brasileiros declararam torcer contra a seleção brasileira de futebol, o técnico Luiz Felipe Scolari defendeu a atuação dos jogadores que têm vestido a camisa da equipe e atribuiu à comissão técnica a responsabilidade pelas críticas ao desempenho do time e pelo distanciamento de muitos torcedores.



“Nós que trabalhamos para motivar esses atletas é que talvez estejamos errados. Quem sabe não estejamos fazendo as coisas corretamente, no sentido de que o povo brasileiro se identifique novamente com a seleção”, avaliou Scolari, ao participar de um bate-papo com o ministro do Esporte, Aldo Rebelo.



Para o técnico, a população brasileira quer se identificar com a seleção de futebol. “Tenho bons exemplos de que o povo espera que a seleção lhes dê aquele ânimo e carinho para que eles possam torcer. Uma pequena parte disso [é responsabilidade] dos atletas. A maior parte é [responsabilidade] nossa. Nós temos que passar essa mensagem de otimismo para, depois obtendo bons resultados, motivarmos a população a se identificar com nossa seleção”, disse Scolari.



O treinador prometeu que a comissão técnica vai trabalhar para retomar o apoio do torcedor “Se ainda existe alguma lacuna, ela vai ser preenchida, primeiro por nós, da comissão técnica. Acho que o caminho é irmos mostrando o que estamos fazendo, para que possamos voltar a ter o ambiente vivido em todas as copas do mundo, com muito mais ênfase, já que, agora, a copa será aqui, na nossa casa”, acrescentou o técnico.



Scolari também respondeu sobre sua previsão para o vencedor da Copa do Mundo de 2014, apontando o Brasil como uma das favoritas a ganhar o título de campeã mundial, ao lado da Espanha, Alemanha, Itália e Argentina. “O Brasil sempre está entre os melhores. Pode ser que, em determinados momentos, não jogue de uma forma linda”.



Ao fim da conversa, o ministro Aldo Rebelo minimizou as críticas à seleção e à decisão do país de sediar a Copa do Mundo de 2014, ainda que reconhecesse o distanciamento dos torcedores brasileiros. Para o ministro, as críticas são naturais e compete aos responsáveis conviver com as opiniões divergentes.



“Isso não é uma novidade. É [resultado] dos momentos, de expectativas. Claro que o torcedor espera que a seleção sempre apresente o melhor futebol do mundo, goleie qualquer adversário. Como isso nem sempre é possível, o torcedor fica insatisfeito. O próprio Pelé já foi vaiado”, lembrou o ministro.



Aldo Rebelo ainda citou o dramaturgo Nelson Rodrigues que, em suas crônicas, se referia ao “complexo de vira-latas” do povo brasileiro para explicar o sentimento de inferioridade com que o brasileiro se portava diante do resto do mundo, ao ser questionado se parte das críticas à seleção não seria um reflexo dos que são contrários ao país investir para sediar grandes eventos esportivos, apontando outras prioridades.



“Acho que superamos o complexo de vira-latas que o Nelson Rodrigues citava em suas crônicas, mas não o pessimismo do velhinho do Restelo, o personagem de Camões que tinha horror à ousadia e dizia que as navegações eram uma coisa arriscada e irresponsável, mas testemunhou a partida dos navegadores que ajudaram a desenhar um novo horizonte. Este pessimismo é parte da nossa herança, mas, ao mesmo tempo, também faz parte da nossa herança a ousadia”, argumentou.


Jornal Midiamax