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Para pesquisador, sistema hidroeólico apoiado por termelétrica atende demanda de energia

O crescimento da demanda por energia elétrica no Brasil pode ser suprido por um sistema interligado que combine usinas hidrelétricas com parques eólicos, complementado por termelétricas a biomassa, na opinião do pesquisador do Instituto de Eletrotécnica e Energia da Universidade de São Paulo (USP), Joaquim Francisco de Carvalho. Ele participou, nesta quarta-feira (27), do primei...

Arquivo Publicado em 27/03/2013, às 18h06

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O crescimento da demanda por energia elétrica no Brasil pode ser suprido por um sistema interligado que combine usinas hidrelétricas com parques eólicos, complementado por termelétricas a biomassa, na opinião do pesquisador do Instituto de Eletrotécnica e Energia da Universidade de São Paulo (USP), Joaquim Francisco de Carvalho.



Ele participou, nesta quarta-feira (27), do primeiro painel do ciclo de debates sobre Energia e Desenvolvimento do Brasil, promovido pela Comissão de Serviços de Infraestrutura (CI). Também debateu o assunto com os senadores o professor Sérgio Bajay, da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).



Carvalho avalia que, em 2050, quando a população brasileira estiver em torno de 215 milhões de habitantes, um sistema hidroeólico interligado será suficiente para que a sociedade consuma eletricidade em níveis comparáveis a países desenvolvidos.



Para ele, seria possível elevar o atual consumo de eletricidade per capita no Brasil, em torno de 2.000 quilowatt/hora por habitante, ao ano, para níveis europeus, que é, em média, de 5.650 quilowatt/hora por habitante, ao ano.



A primeira preocupação dos pesquisadores é com medidas para reduzir os problemas decorrentes do modelo adotado nas novas hidrelétricas em construção, conhecido como fio d’água, ou seja, sem a formação de grandes reservatórios. Bajay explica que esse modelo apresenta maior irregularidade do sistema e maiores custos operacionais e de geração de energia.



Como alternativa, Carvalho defende o aproveitamento de 80% do potencial hídrico amazônico e sugere que permaneçam intocados os demais 20%, por motivos sociais e ambientais.



Se assim for feito, diz ele, a soma das áreas ocupadas por reservatórios hidrelétricos na Amazônia seria inferior a 0,6% da área total da região, resultando em uma alteração ambiental que o pesquisador considera “perfeitamente assimilável pelos ecossistemas”.



Ao se referir à reação de populações locais contra a construção de hidrelétricas na Amazônia, o pesquisador da USP considera esta uma questão que deve ser tratada politicamente.



“Populações locais devem ser respeitadas e aquelas afetadas por grandes lagos de hidrelétricas devem ser transferidas para áreas urbanizadas, com redes de água, saneamento, energia e escolas, a fim de que populações que vivem em situação muito primitiva evoluam”, disse.



Potencial eólico



Tendo em vista que o modelo a fio d’água tem como limitação a queda de vazão dos rios em determinadas épocas do ano, acarretando a redução da energia gerada, Carvalho defende a criação de um sistema interligando as hidrelétricas aos parques eólicos.



Estudos citados pelo pesquisador indicam que o potencial eólico do Brasil pode chegar a 300 mil megawatts. Isso representa 20 vezes a capacidade de Itaipu, que é de 14 mil megawatts.



Para que o país consiga utilizar todo o potencial eólico disponível, Carvalho aponta a necessidade de investimentos para desenvolver novas tecnologias, de expandir a escala para reduzir custos, e de nacionalizar a cadeia produtiva.



Termelétricas



Para complementar o fornecimento de energia em momentos de baixa produção das hidrelétricas e dos parques eólicos, o professor da USP sugere que esse sistema hidroeólico seja ligado a usinas termelétricas a biomassa, com o aproveitamento do bagaço de cana-de-açúcar resultante da produção de etanol.



A adoção dessa estratégia tornaria desnecessário o uso de usinas termelétricas convencionas e usinas nucleares. Sérgio Bajay explica que termelétricas que usam combustíveis fósseis provocam danos irreversíveis ao meio ambiente, causados pelas emissões de gases de efeito estufa. Ainda conforme o professor da Unicamp, as termelétricas a carvão apresentam o agravante de agressões ambientais causadas pela mineração.



Além disso, ele observa que as reservas brasileiras de carvão mineral se localizam no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina, sendo muito alto o custo de transporte para outras regiões, o que limita a instalação de usinas nas proximidades das minas.



Quanto às usinas nucleares, Joaquim Carvalho observa que a energia gerada não agride o meio ambiente, pois pouco carbono é emitido. No entanto, há riscos de acidentes com liberação de material radioativo e graves consequências sobre grandes regiões e por centenas de anos, além do problema do acondicionamento seguro do lixo atômico.



O pesquisador observa, no entanto, que a energia nuclear continuará a ser utilizada em outros setores, como em aplicações biomédicas, para diagnósticos e terapias; na indústria, para detectar falhas e fazer controle de qualidade; e em processos de esterilização, seja na indústria de alimentos ou em hospitais e clínicas.

Jornal Midiamax