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Papai Noel da Cidade do Natal já perdeu tudo em incêndio e é sapateiro há mais de 60 anos

Jamaci Leite Campelo, 74 anos, abriu sua sapataria em Campo Grande em 1970. Desde então se passaram mais de 40 anos que o nordestino criado em São Paulo veio para a Capital do então Mato Grosso fazer a vida. E depois de tantos anos cortando couro e martelando pregos nos sapatos que ainda faz de […]

Arquivo Publicado em 18/12/2013, às 12h51

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Jamaci Leite Campelo, 74 anos, abriu sua sapataria em Campo Grande em 1970. Desde então se passaram mais de 40 anos que o nordestino criado em São Paulo veio para a Capital do então Mato Grosso fazer a vida. E depois de tantos anos cortando couro e martelando pregos nos sapatos que ainda faz de forma artesanal, Jamaci se encontrou em outro ofício: o de Papai Noel.

O cabelo e a barba brancos lhe garantiram o trabalho, que nesta época do ano garante renda extra para o sapateiro. “É um dinheiro a mais. Para quem ganha pouco, ajuda”, comenta o Papai Noel da Cidade do Natal.

Ele confessa que não gosta da barba comprida, mas é uma exigência para o serviço. “Não gosto muito de deixar a barba grande. Mas, me falaram para eu deixar assim que fica mais parecido com o Papai Noel”, explica.

O melhor do novo trabalho, diz, são as histórias que as crianças lhe contam. “Elas me dão cartinhas e pedem presentes. Falam cada coisa engraçada”, revela aos risos.

O bom humor, pelo jeito, é marca do homem guerreiro que não se deixa abater. Jamaci conta que foi aprender a ser sapateiro com apenas 12 anos para ajudar a família e nunca mais deixou o ofício.

No começo aprendeu a montar os sapatos, depois a consertá-los até que foi para a produção. Na época tudo era feito manualmente, técnica que não deixou de lado apesar do avanço da indústria.

Ele diz que os sapatos de fábrica podem até ser mais bonitos que os seus, mas desafia na durabilidade. “Duvido que um sapato fabricado em qualquer lugar por aí dure como um feito por mim. Os meus são mais rústicos, mas não acabam”, diz.

Sem medo de perder, ele conta que os materiais utilizados na indústria foram pouco a pouco perdendo a qualidade até que tem sapato hoje em dia que nem sequer dá conserto. “As palmilhas são feitas de papelão. Eles usam o material mais barato, para estragar logo e ter de comprar outro. O nosso não. É feito para a vida toda”, diz orgulhoso.

Os sapatos feitos todos de couro não acabam, conta, e quem compra volta só porque quer outro par. Não porque aquele não serve mais. Por isso, diz, os clientes são fiéis, e quando não são antigos foram indicados por quem já conhece o serviço. “Os clientes, em sua maioria, compram conosco há muito tempo. Conhecem a sapataria e voltam”, enfatiza.

Até porque, revela Jamaci, desde que a rodoviária mudou de lugar, em 2010, os clientes esporádicos deram uma sumida. “Antes a peonada comprava toda aqui. Agora eles estão lá na outra rodoviária, e com isso os clientes sumiram”, lamenta.

Mas, para quem precisou reconstruir a sapataria, que pegou fogo na mesma época, a esperança não acaba. Jamaci conta que naquele ano tudo se perdeu no fogo, mas apesar de já estar aposentado não desistiu do ofício. “Reconstruí tudo, recomecei do zero. Porque quem fica em casa sem trabalhar fica doente e morre”, ensina.

E esse destino ele não quer não. Jamaci conta que ainda tem muito tempo para viver e que este é o primeiro ano que trabalha como Papai Noel, quer ouvir muitas outras histórias das crianças e fazer muitos outros sapatos para a vida toda.

Sapatos – Quem quiser comprar algum dos produtos feitos pelo Jamaci a sapataria dele fica na antiga rodoviária. A botina mais barata de couro preto com elástico na lateral sai por R$ 45,00. Já o modelo tipo texano, com três tipos de couro sai por R$ 220,00. Jamaci garante a durabilidade do produto e quem preferir ainda pode fazer sob medida para garantir, além da durabilidade o conforto.

Jornal Midiamax