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ONG denuncia que monopólio da mídia no Brasil persiste pós-ditadura

O Brasil possui “um panorama midiático pouco modificado trinta anos após a ditadura militar (1964-1985)”, uma espécie de “país dos 30 Bersluconi”, denunciou nesta quinta-feira a organização Repórteres Sem Fronteiras (RSF). Uma investigação da RSF realizada em novembro e revelada nesta quinta-feira mostra que afora uma dezena de grupos que dividem o monopólio da informação […]

Arquivo Publicado em 24/01/2013, às 19h35

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O Brasil possui “um panorama midiático pouco modificado trinta anos após a ditadura militar (1964-1985)”, uma espécie de “país dos 30 Bersluconi”, denunciou nesta quinta-feira a organização Repórteres Sem Fronteiras (RSF).



Uma investigação da RSF realizada em novembro e revelada nesta quinta-feira mostra que afora uma dezena de grupos que dividem o monopólio da informação principalmente no eixo Rio-São Paulo, o país “conta com múltiplos meios de comunicação regionais, fragilizados pela extrema dependência em relação aos grandes centros de poder nos estados”.



“Uma tutela que afeta diretamente a independência” da imprensa, ressalta a organização.



Esta situação também é um “vetor de insegurança”, segundo a RSF que lembra que, onze jornalistas e blogueiros foram assassinados, o que coloca o país na quinta posição entre os países com mais registros de mortes. Dois outros foram forçados ao exílio por questões de segurança.



No ano passado, a Sociedade Inter-americana de Imprensa (SIP) colocou o Brasil na lista dos países mais perigosos para o exercício da profissão na América Latina, onde 19 assassinatos de jornalistas foram denunciados, seis deles no Brasil.



Devido a este cenário, a organização considerou o Brasil como uma espécie de “país dos 30 Bersluconi”.



“O Brasil apresenta um nível de concentração de mídia que contrasta totalmente com o potencial de seu território e a extrema diversidade de sua sociedade civil”, explica a ONG de defesa da liberdade de imprensa.



“O colosso parece ter permanecido impávido no que diz respeito ao pluralismo, um quarto de século depois da volta da democracia”, assinala a RSF.



Segundo a ONG, um dos problemas endêmicos do setor da informação no Brasil é a figura do magnata da imprensa, que “está na origem da grande dependência da mídia em relação aos centros de poder”.



“Dez principais grupos econômicos, de origem familiar, continuam repartindo o mercado da comunicação de massas”, lamenta a RSF.



Sempre segundo a RSF, a este sistema se acrescenta a censura na internet e denúncias que levaram ao fechamento de blogs durante as eleições municipais de 2012.



Nesse sentido, citou o caso do diretor do Google Brasil, que ficou preso brevemente por não retirar do YouTube um vídeo que teoricamente atacava um candidato a prefeito.



A organização faz referência a Fábio José Silva Coelho, que foi preso pela Polícia Federal em setembro passado a pedido do candidato a prefeito de Campo Grande, Alcides Bernal.



Para reequilibrar o cenário da mídia brasileira, a Repórteres Sem Fronteiras recomenda reformar a legislação sobre a propriedade de grandes grupos e seu financiamento com publicidade oficial, assim como a melhoria da atribuição de frequências audiovisuais para favorecer os meios de comunicação e um novo sistema de sanções que não inclua o fechamento de mídias ou páginas, entre outras medidas.


Jornal Midiamax