Nesta sexta-feira, 19 de abril, Dia do Índio, a data ganhou um reforço importante para fazer de seu simbolismo uma condição capaz de propiciar ações efetivas pelas causas da etnia: a monumentalização da divisa que define as posições territoriais da secular Reserva Kadiwéu e dos municípios de e , na região do Rio Naitaca e da Ilha do nabileque. Em março deste ano, o prefeito murtinhense Heitor (PT) havia assinado um convênio com a Acirk (Associação das Comunidades Indígenas da Reserva Kadiwéu). Com aval da Fundação Nacional do Índio (Funai), a ONG foi autorizada a colocar os marcos de concreto necessários para o Georreferenciamento do curso do Rio Naitaka. O convênio é sustentado por registros históricos oficiais reconhecidos por lei.

Agora, o processo de monumentalização acrescenta mais um avanço no esforço das autoridades e dos próprios índios para por fim às dúvidas sobre a titularidade do domínio das porções territoriais envolvendo a área dos kadiwéus, que possui pedaços da reserva ocupados por fazendeiros, e os limites entre Corumbá e Porto Murtinho. Heitor foi à região do Naitaca com Alain Charles Edouard Moreau, da IWGIA (International Work Group for Indigenous Affairs), ONG dinamarquesa que financia o projeto de georreferenciamento, e Ambrósio da Silva, presidente da Acirk. Eles inauguraram os marcos de georreferência que dividem a reserva e os territórios murtinhense e corumbaense. O Marco Georreferenciado de apoio à linha de divisa pelo Rio Naitaka está previsto no Decreto 89.578, de 24 de abril de 1984, do presidente da República João Baptista de Figueiredo. Sua autorização técnica é de de 20 de outubro de 2005.

Nas andanças pela região nesta sexta-feira, o prefeito foi saudado por vários trabalhadores rurais. Um deles, o murtinhense Terencio Fariña Martinez, 68 anos e há 44 morando na ponta da Ilha do Nabileque, disse ter sido a primeira vez que soube da presença de uma autoridade no local. O prefeito lembrou-se então, emocionado, de ter conhecido o pai de Terencio, “o velho Fariña, um peluqueiro (barbeiro) e tocador de contrabaixo”. , Terencio vive na ilha com seus filhos Jean e Ana Lúcia e a esposa Apolônia. Heitor comprometeu-se a buscar os órgãos competentes para que sejam instaladas torres de telefonia e rede de Internet nas aldeias indígenas.