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‘Meu marido iria ser morto se não estivéssemos com ele’, diz vítima de sequestro

“Eles discutiam muito entre eles, principalmente porque o meu marido foi ao local com a família. Falavam que ele tinha que estar sozinho para ser ‘apagado’ ali mesmo" conta a vítima ao Midiamax.

Arquivo Publicado em 15/02/2013, às 14h03

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“Eles discutiam muito entre eles, principalmente porque o meu marido foi ao local com a família. Falavam que ele tinha que estar sozinho para ser ‘apagado’ ali mesmo” conta a vítima ao Midiamax.

Enclausurada com a família por quatro horas na noite de ontem (14), J.L.S., 34 anos, conta que foram inúmeras às vezes em que ‘sentiu a morte bem próxima’ e que os bandidos a todo o momento recebiam ordens por telefone, garantindo que o mentor do crime seria um detento do Estabelecimento Penal de Segurança Máxima, em Campo Grande.



“Eles discutiam muito entre eles, dizendo que tinha dado tudo errado, principalmente porque o velho (meu marido) foi ao local com a família. Falavam que ele tinha que estar sozinho para ser ‘apagado’ ali mesmo. E pra gente falavam que não seriam assassinos, que aquilo era só um ‘corre’ mesmo”, conta a vítima ao Midiamax.



Com os filhos e o marido amarrados em um local sem iluminação, no bairro Caiobá, a vítima diz que os quatro homens portavam um revólver aparentando ser de calibre 32 e usavam drogas a todo o momento, além de ingerir bebida alcoólica e aguardar as orientações por telefone.


Bando usava drogas a todo o momento e dois deles conversavam sobre abandonar o assalto



“Eles bebiam muito, usavam drogas e dois deles disseram que iam abandonar a ‘fita’ porque não era para ser daquele jeito. ‘Vamos soltar esses frangos’, era o que eles diziam. Mas, foi no momento em que o meu marido começou a passar mal que eu implorei para nos soltarem”, conta a vítima.



Ninguém tinha desconfiado da emboscada durante a negociação. J. disse que a primeira ligação de um dos bandidos foi por volta das 16h30 de ontem. “A pessoa falou de precisava fazer uma mudança do bairro Vista Alegre para o Caiobá, perguntando o preço logo em seguida. Ele inclusive chegou a pedir desconto e, às 18h, passou o endereço, marcando o encontro para às 19h. O ponto de referência era um mercado na região”, fala a vítima.



Assim que chegaram, a vítima disse que a sua primeira pergunta ao homem foi como ele possuía aquele número de celular dela, que era novo. “Eles falaram que tinham conseguido o meu telefone com uma mulher na qual o meu marido havia feito uma mudança na semana passada, sendo que a esposa dele era amiga dela. Fiquei tranqüila naquele momento, porque sabia da mudança”, relembra nervosa a vítima.


Ao ver carro antigo, um dos homens constatou que família estava junto e mandou eles irem embora



Antes de sair, a vítima conta que o homem já tinha analisado o caminhão, um Dodge D400 verde escuro, de 1976 e placa QG 4053, com uma carroceria de madeira preta. “Ele viu que era um carro antigo e que toda a família estava junto. Falou então que não ia caber a mudança dele e que era pra gente ir embora. Mas o meu marido pensou no prejuízo de se deslocar para tão longe e então falou que ele deveria primeiro verificar se os objetos caberiam”, fala a vítima.



Foi o momento em que um dos bandidos subiu no caminhão e andou mais três quadras. “Estava tudo muito escuro, um lugar feio, deserto, parecia a última rua de Campo Grande. O bandido então falou que era pra mudança ter sido mais cedo e que eles já tinham pedido o consumo final da casa. Lá dentro estavam mais três comparsas”, conta ao Midiamax.



Ao dar ré e descer do carro, M.J.D., 27 anos, foi informado de que se tratava de um assalto. “Fiquei no carro com a minha filha e até pensei em correr para um matagal ali próximo. Mas no momento em que o homem falou que o meu marido estava me chamando para ajudar, também entendi o que estava acontecendo. Não tive coragem de deixá-lo sozinho e dali começou o nosso sofrimento”, fala a mulher.



Durante um momento de tensão, a vítima conta que um dos homens a ordenou para ir ao banheiro. “Pensei que poderia ser estuprada ou que iriam aproveitar o momento para matar o meu marido. O desespero é imenso, não dá pra explicar. Na volta, eles nos pediram mais meia hora e depois disseram que iriam nos libertar”, diz aos prantos a vítima.


Vítima pediu água e constatou que bando tinha fugido, saindo para pedir socorro



Todos saíram da casa. A vítima diz que esperou um tempo e começou a gritar pedindo água, sem ser atendida. “Fui levantando aos poucos e vi que eles já tinham fugido. Mas o pior nisso tudo foi quando nós saímos e ninguém quis nos ajudar. Batia palmas, mas as pessoas também estavam com medo. Foi só depois de eu ajoelhar em uma casa, quase sem forças, que um senhor entrou em contato com a polícia”, ressalta a vítima.



Em poucos minutos os policiais chegaram. “Antes de ir para a delegacia, nós fizemos buscas com eles e encontramos uma pequena foto do autor jogada em frente da casa. Repassamos características também e agora a polícia está investigando. Mas o principal é que gostaríamos que fosse encontrado o caminhão. É financiado e faz só dez dias que o meu marido estava com ele”, conta a vítima.



Os homens, todos morenos, possuíam idade entre 20 a 35 anos, de acordo com a vítima. Eles já estão sendo procurados pela Polícia Civil. O veículo ainda não foi localizado.


Jornal Midiamax