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Médicos cobram investimentos na saúde e realizam mobilização em Campo Grande

Os médicos vão se concentrar às 16h desta quarta-feira (3) em frente à representação ministerial, na rua Jornalista Belizário Lima, e prometem levar cartazes e demonstrar a indignação com as políticas públicas para a saúde no país.

Arquivo Publicado em 03/07/2013, às 14h10

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Os médicos vão se concentrar às 16h desta quarta-feira (3) em frente à representação ministerial, na rua Jornalista Belizário Lima, e prometem levar cartazes e demonstrar a indignação com as políticas públicas para a saúde no país.

Os médicos de Mato Grosso do Sul resolveram não dar trégua às autoridades e também realizar manifestação nas ruas de Campo Grande. Com uma pauta de negociação extensa, que inclui maior investimento na saúde e a realização de provas específicas para médicos de outros países atuarem no Brasil, os profissionais vão protestar em frente ao escritório do Ministério da Saúde na Capital.


Os médicos vão se concentrar às 16h desta quarta-feira (3) em frente à representação ministerial, na rua Jornalista Belizário Lima, e prometem levar cartazes e demonstrar a indignação com as políticas públicas para a saúde no país.


A pauta de reivindicações foi apresentada em reunião na sede do Sinmed/MS (Sindicato dos Médicos), com o apoio do CRM (Conselho Regional de Medicina), da Associação Médica de Mato Grosso do Sul e da Academia Sul-Mato-Grossense de Medicina.


O manifesto ocorre em todo o território brasileiro, e deve resultar em paralisação de atendimento em alguns estados. Em MS, porém, os médicos decidiram apenas realizar uma mobilização da classe.


“Entendemos que não é a hora de paralisar o atendimento e prejudicar a população”, avaliou Marco Antônio Leite, presidente do Sinmed. Ele, porém, não descartou uma paralisação dos médicos, caso o governo federal não queira ouvir as reivindicações.


A classe também deve entregar um documento com as reivindicações ao governador André Puccinelli (PMDB), ao prefeito Alcides Bernal (PP) e ao Ministério Público Federal.


Polêmica


A classe cobra uma maior remuneração e implantação de plano de cargo e carreira para os médicos que atuam na rede privada e investimento de 10% do PIB (Produto Interno Bruto) na saúde.


O tema mais polêmico, porém, é a liberação de médicos formados no exterior poderem atuar em território nacional. Hoje, o sistema usado é o do Revalida, que obriga os profissionais de outros países a realizarem prova técnica, e serem aprovados, para poderem medicar no Brasil.


“A população precisa ter um atendimento de qualidade, e a prova é de habilidades básicas. Se olharmos os dados do revalida, observamos que existem muitos profissionais que tiveram formação questionável”, opinou Luiz Henrique Mascarenhas, presidente do CRM regional.


Para defender a manutenção do Revalida, e afastar o projeto apresentado pela presidente Dilma Rousseff (PT), de liberar a atuação de médicos estrangeiros no país, o CRM apresentou dados do Revalida.


No primeiro ano da prova, foram 628 médicos estrangeiros participantes e apenas dois foram aprovados (0,31%); em 2011 foram aprovados 65 de 677 (9,6%, similar ao ano passado, quando 76 de 798 foram aprovados (9,5%).


Os médicos brasileiros defendem a manutenção do Revalida.


Verba


Ano passado, apenas 3,77% do PIB brasileiro, R$ 70 bilhões, foi investido em educação, quase a metade da média dos países desenvolvidos e de grande parte da América do Sul, 7%. Os médicos defendem o investimento de 10% no setor.


Além da destinação de mais verba, o real uso do dinheiro também é cobrado, já que o TCU (Tribunal de Contas da União) comprovou que R$ 17 bilhões se “perderam” ano passado, e não foram investidos, o que resultou em uma ação de improbidade administrativa contra o ministro da Saúde, Alexandre Padilha.

Jornal Midiamax