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Loja nega denúncias de sindicato e critica funcionários denunciantes

A loja Jet Line, uma das denunciadas pelo SECCG (Sindicato dos Empregados no Comércio de Campo Grande) no Ministério do Trabalho, negou as denúncias, que incluem assédio moral, falta de recolhimento do FGTS (Fundo de Garantia por Tempo de Serviço) e de passe de ônibus, não pagamento de hora extra, além de desvio de função. […]

Arquivo Publicado em 27/03/2013, às 11h33

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A loja Jet Line, uma das denunciadas pelo SECCG (Sindicato dos Empregados no Comércio de Campo Grande) no Ministério do Trabalho, negou as denúncias, que incluem assédio moral, falta de recolhimento do FGTS (Fundo de Garantia por Tempo de Serviço) e de passe de ônibus, não pagamento de hora extra, além de desvio de função. A outra acusada, a Bumerang, não se pronunciou.


“Não são procedentes as denúncias. Não há assédio moral, os cartões de passes de ônibus são carregados a cada seis dias, o recolhimento do FGTS está sendo feito, e aqui não é feito hora extra”, defendeu Rafaela Prado, gerente da Jet Line da 14 de Julho, no centro de Campo Grande.


A gerente ainda informou que outra denúncia, a que vendedores teriam acúmulo de função, ao realizar o serviço de limpeza da loja, procede e está incluído no contrato de trabalho de cada funcionário. “Muitos vão ao sindicato denunciar, mas quando são contratados tudo é acordado previamente”, afirmou Rafaela.


“Se eu precisasse de trabalho, eu vou estar de acordo com aquilo (contrato de trabalho). Depois eu não vou lá reclamar”, frisou a gerente.


Questionada sobre a obrigação de a empresa informar todos os detalhes da contratação e da função dos funcionários, a gerente foi clara: “Cabe ao funcionário buscar as informações antes de assinar o contrato”.


A gerente da Bumerang, também na 14 de Julho, preferiu não atender a reportagem.


Denúncias


De acordo com as denúncias encaminhadas ao Ministério do Trabalho, por funcionárias das lojas Bumerang e Jet Line, por intermédio do SECCG, são essas as principais irregularidades cometidas pelas empresas: constantes atrasos de pagamento de salários; Não pagam férias que estão acumuladas; Não recolhem FGTS; Não fornecem vale transporte corretamente; Obriga funcionários a promoverem limpeza geral das lojas extra horário de trabalho; Obrigam os funcionários a refazerem suas folhas de ponto para não pagar horas extras. Aqueles que não obedecem essa determinação ficam sem receber salários mensais; As gerências costumam, com frequência, promoverem humilhação verbal de funcionários que fazem denúncias e se rebelam contra as irregularidades.


As funcionárias que denunciam essas irregularidades e que estiveram na sede do sindicato disseram também que a direção das lojas ameaçam “sujar” o nome delas no comércio, caso sejam identificadas. Por conta disso E.A.S, de 24 anos, prefere não ter seu nome divulgado na mídia, para não sofrer represálias futuras em outros estabelecimentos que for trabalhar. Ela afirma que está há dois anos na empresa (Bumerang)e que até agora não conseguiu sair de férias. A empresa não concedeu essa licença nem mesmo há quatro meses, quando ganhou seu segundo filho.


K.S.A, de 21 anos, foi demitida dia 8 de dezembro de 2012 e até hoje a empresa não efetuou sua rescisão trabalhista. Ela trabalhou dois anos e seis meses na Bumerang e diz que a loja alega que não tem dinheiro para fazer o seu acerto.


C.C.R. de 19 anos, está há um ano na empresa e confirma todas essas irregularidades em todas as cinco lojas do grupo. Ela denunciou também que além da limpeza geral fora do horário de trabalho, os funcionários são obrigados também até a buscar água em baldes de outra loja para abastecer o consumo de onde trabalha.


Idelmar da Mota Lima, presidente do SECCG e presidente da Fetracom (Federação dos Trabalhadores no Comércio e Serviços de Mato Grosso do Sul) e da Força Sindical Regional Mato Grosso do Sul, explicou que essas irregularidades vêm ocorrendo desde setembro de 2011, quando a entidade levou o caso ao Mnistério do Trabalho. Ele lamentou a demora do órgão para a tomada de providências.


Diante dessa informação de que as empresas estão sendo fiscalizadas neste início de ano, ele disse que espera mais agilidade do órgão quando o sindicato levantar outras denúncias de irregularidades contra cidadãos de bem, funcionários que precisam de seus vencimentos pagos corretamente para o sustento de suas famílias. Quanto à Bumerang e Jet Line, Idelmar espera que a punição seja exemplar e que os direitos dos empregados sejam devidamente pagos.

Jornal Midiamax