Em outubro de 2012, Therezinha Araújo de Morais passou a sofrer com dores crônicas no ombro. O sofrimento a levou procurar médicos ortopedistas especialistas e descobrir que o Bradesco Saúde pago pelo seu marido não fornecia cobertura em diversos consultórios. Diferente do que determina a lei, a dona de casa conta que nunca havia recebido uma lista de estabelecimentos conveniados e que pelo 0800 recebeu a informação de que deveria viajar para São Paulo ou procurar médicos no interior. A filha para prevenir outros conveniados divulgou a história no Facebook.

“Se nem aqui tinha médico especialista para o meu ombro como eu poderia procurar a solução no interior? Pior que isso, a central de atendimento não me informava de forma específica quais clínicas de Campo Grande e do interior poderiam me atender. Isso uma paciente com dores fortíssimas e com um quadro grave que um dos profissionais que atendeu até ligou para a Bradesco Seguros”, diz Terezinha.

A dona de casa não foi outras cidades procurar clínicas, no entanto procurou o Procon-MS para reclamar da Bradesco Saúde e cobrar apoio para a realização da cirurgia que precisava. Ela sofria com uma inflamação crônica no Manguito rotador, grupo de músculos e tendões que estabiliza os movimentos do ombro em movimentos. A inflamação inclusive corria risco de amputação do membro.

A reportagem tentou entrar em contato com o médico que operou a articulação de Terezinha, Fábio Fernando Helmer, especialista em ombros. Ela conta que após ver o sofrimento da paciente, o profissional ligou para a Bradesco Saúde e cobrou a liberação da cirurgia. Entretanto ouviu da empresa que os dois deveriam cotar os materiais, que estavam muito caros.

Procon

No Procon-MS ela alega ter ouvido que a Bradesco Saúde não tinha interesse de nenhum acordo, alem de ser provocada pelo advogado da empresa. Segundo a dona de casa, o representante lhe disse, em meio a risadas, que ela não deveria acreditar em nada, nem plano de saúde, nem no Procon, em ninguém e que ela dificilmente resolveria o caso. O episódio de acordo com a versão da paciente ocorreu em janeiro de 2013, três meses antes da cirurgia.

“Conversei com a Dona Terezinha e me surprendi com a situação dela, principalmente em virtude do descaso que a empresa agiu. O Procon aplicará uma multa na Bradesco Saúde e a empresa deve receber outras sanções da Justiça pelo descumprimento de sentenças. O cliente de um plano de saúde tem o direito garantido pelo Código de saber com atualização do quadro de profissionais credenciados, assim como das clínicas e hospitais. Cabe a pessoa pedir essa listagem sempre e se vir irregularidade denunciar”, esclarece o superintendente do Procon/MS, Alexandre Resende, que lembra a aplicação do Código de Direito do Consumidor em planos de saúde desde novembro de 2010, definido pelo Supremo Tribunal Federal (STF).

Terezinha conta que também foi informada pelo Jurídico da operadora que ela não compareceu em uma audiência do Procon do Rio de Janeiro-RJ sobre o caso, o que lhe impedia de pedir um auxílio ao órgão. A paciente não entende como isso poderia ter acontecido já que não havia ido ao Rio de Janeiro e discorda da versão da empresa que afirma ter liberado a cirurgia em dezembro de 2012. No procedimento realizado em abril de 2013 a dona de casa diz ter pago a clínica por meio de promissórias, quitadas depois pela empresa que o marido trabalhava.

“Posso dizer que o Bradesco Saúde sempre autoriza procedimentos aos pacientes conveniados, só é um plano mais burocrático que os demais. O hospital não nega internação ou cirurgias, mas o médico pode se negar. Se o profissional não estiver de acordo com a tabela pode se recusar a fazer a cirurgia e a instituição não poderá fazer nada. É do nosso interesse aliás que a cirurgia e a internação ocorra, já que o hospital existe pra isso”, explica a Diretora Administrativa do Hospital El Kadri, Amélia Porto, sobre como funciona a autorização de uma cirurgia na cobertura do Bradesco Saúde.

Depois da cirurgia, Terezinha fez sessões de fisioterapia por três meses custeadas pela operadora, porém até hoje relata ter dores no ombro e dificuldade de movimentação. Duas semanas antes de operar o manguito rotador na Clínica Orthos, Terezinha chegou a pedir que o marido amputasse o seu braço para que todo transtorno fosse encerrado.

Descumprimento de Sentença

Na Justiça ela relata que ganhou uma indenização da Bradesco Seguros, no valor de R$ 27 mil porém ainda não recebeu o dinheiro. De acordo com Terezinha apesar da determinação do juiz a empresa a procurou recentemente para tentar um novo acordo do pagamento de forma extra-judicial, onde o valor seria menor.

A Bradesco Saúde foi acionada pela reportagem sobre o caso da cliente, que entrou em contato com a Assessoria de Imprensa da empresa. O departamento afirmou que em breve fornecerá uma resposta sobre a denúncia de descumprimento da sentença que garantia a indenização a cliente e assim como a precariedade no sistema de cobertura do convênio.