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Em MS, Conselho alerta que faltam médicos em três especialidades

Faltam médicos especialistas em neurologia, endocrinologia e hematologia, de acordo com o Conselho Regional de Medicina

Arquivo Publicado em 19/02/2013, às 21h44

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Faltam médicos especialistas em neurologia, endocrinologia e hematologia, de acordo com o Conselho Regional de Medicina

Mato Grosso do Sul está abaixo da média brasileira do número de médicos, segundo revela o estudo lançado nesta segunda-feira (18), pelo CFM (Conselho Federal de Medicina). O levantamento aponta que 4.238 médicos se encontravam em atividade em outubro de 2012. Com taxa de 1,69 profissional por 1.000 habitantes, o Estado ocupa o 17° lugar em números absolutos de médicos registrados em todo o país (388.015) e o 10º em termos proporcionais. Cerca de 64% destes profissionais se concentram na capital e 64,1% deles atuam no Sistema Único de Saúde (SUS). As especialidades em que há maior déficit, de acordo com o CRM/MS (Conselho Regional de Medicina de Mato Grosso do Sul), são neurologia, endocrinologia e hematologia.

A maior concentração dos especialistas está na Capital. Em todo o Estado, existem 30 neurologistas, sendo 25 deles atuando em Campo Grande. O número de endocrinologistas em MS e em Campo Grande também é reduzido, são 39 ao todo e apenas 10 deles em cidades do interior do Estado. No entanto, a especialidade com o menor número distribuída nas cidades sul-mato-grossenses é de hematologia, sendo 11 em Campo Grande e quatro em todo o Estado. “Há uma distribuição inadequada dos médicos. O Estado de Mato Grosso do Sul está abaixo da média nacional, já a média em Campo Grande é de 3,4 por 1.000 habitantes, ou seja, bem acima da média brasileira, pois no ano passado o governo determinou que o ideal seria de 2 para cada 1.000 habitantes”, confirmou o presidente do CRM/MS, Luis Henrique Mascarenhas Moreira.

Há uma grande discussão em torno dos motivos que levam os médicos a se fixarem em grandes centros. “A estrutura que é oferecida aos médicos faz com que eles procurem os grandes centros para desenvolverem as suas atividades. O salário acaba sendo mais um fator. É obvio que o atrativo financeiro é algo que faz o médico pensar onde irá escolher para atuar, mas não é ele um fator isolado. Tanto é que foi noticiada uma cidade no interior do Ceará que estava oferecendo salário de R$ 35 mil bruto, mas não estava conseguindo profissionais”.

Já os fatores que podem explicar a falta de médicos em determinadas especialidades está relacionado à remuneração, “Em algumas áreas, em especial nessas (neurologia, endocrinologia e hematologia), o profissional não vai ter menos que 10 anos de estudo. É um médico com especialização muito alta, então ele precisa ter atrativos, como infraestrutura de exames, de laboratórios, de hospitais para que possa desenvolver seu trabalho a contento, além do retorno financeiro, porque ele investiu na capacitação e espera uma boa remuneração também”, explicou Moreira.

O estudo destaca em MS a desigualdade percebida entre a capital e os municípios do interior do Estado. Os dados divulgados mostram que 1.708.836 cidadãos, moradores de cidades interioranas, são assistidos por 1.523 médicos. Neste conjunto de municípios, a razão médico/habitante fica em 0,89. Por outro lado, os residentes na capital têm um índice de 3,14 médicos por 1.000 habitantes. As informações constam do segundo volume da pesquisa Demografia Médica no Brasil: Cenários e indicadores de distribuição, desenvolvida em parceria entre CFM e Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo (Cremesp).

A criação de cursos de medicina em determinadas regiões não é determinante para favorecer o aumento de profissionais no local. “Esse estudo demonstra que a colocação de universidade não é o motivo pelo qual os médicos se fixam em um local. A UFGD tem 10 anos de formação de médicos e não houve aumento de fixação de profissionais naquela região. E o curso de medicina ali foi colocado justamente para atender a demanda da Grande Dourados”, ressaltou.

Jornal Midiamax