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Desde 2011, denúncias do Midiamax revelaram esquema que ruiu na saúde do MS

Beatriz Dobashi, José Carlos Dorsa e Ronaldo Perches sofrem investigações rigorosas depois das provas recolhidas em gravações da Polícia Federal, que envolvem Adalberto Siufi

Arquivo Publicado em 02/07/2013, às 01h38

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Beatriz Dobashi, José Carlos Dorsa e Ronaldo Perches sofrem investigações rigorosas depois das provas recolhidas em gravações da Polícia Federal, que envolvem Adalberto Siufi

Desde o começo de 2011, cerca de trinta reportagens de Midiamax denunciaram a manipulação da saúde do MS em benefício do serviço privado, especialmente no setor de tratamento oncológico do SUS, em favor dos negócios da família Siufi e seus apaniguados, segundo comprovou a Operação Sangue Frio, da Policia Federal.

O esquema provocou o desmonte do setor de oncologia e radioterapia do Hospital Universitário em 2008, conforme o noticiado, em favor da Neorad, com apoio da então secretária estadual de Saúde, Beatriz Dobashi.

À época, o diretor do HU era José Carlos Dorsa. Tanto a estrutura que foi fechada no HU, quanto a Neorad estavam sob o comando de Adalberto Siufi, também presidente, à época, do Hospital do Câncer, o grande beneficiado.

Em paralelo à essa situação, pacientes oncológicos do MS buscavam tratamento no Hospital do Câncer de Barretos, por não conseguirem vagas no superlotado Hospital do Câncer, fato retratado pela reportagem de Midiamax, que revelou uma fila dos “sem radioterapia”, denunciada pelo Ministério Público Federal (MPF).

Naquela época, em 2011, o então promotor dos direitos do Cidadão, Felipe Braga, do Ministério Publico Federal, rebelou-se contra o investimento do governo do estado da Neorad, em detrimento atendimento do HU. Ainda hoje, o processo que investiga o desmonte da oncologia espera desdobramentos no judiciário federal, já que as verbas são do SUS.

Ao tomar conhecimento das denúncias de favorecimento dos negócios de Siufi, o Ministério da Saúde incluiu os hospitais públicos do SUS da capital no seu plano de expansão da radioterapia no país, destinando modernos aceleradores lineares para o HU, o Hospital Regional e a Santa Casa, ainda sob intervenção municipal da prefeitura de Campo Grande.

Nesse momento, em agosto de 2012, Dobashi e Perches passaram a articular a negativa dos hospitais públicos para o recebimento dos equipamentos, como também revelou Midiamax na reportagem “Ata de reunião do CIB confirma que Governo não quer radioterapia no Hospital Regional”.

Em decisões controladas por eles na CIB – Comissão Intergestora Bipartipe – presidida por Dobashi, a escolha dos hospitais que receberiam os equipamentos recaiu sobre os hospitais privados, em detrimentos dos públicos no estado inteiro.

Dessa forma, o HR, de Perches, e o HU, de Dorsa, ficariam de fora, em benefício do Hospital do Câncer de Siufi.

Com a denúncia da manobra, o Conselho Estadual de Saúde começou a se mobilizar, informando ao Ministério da Saúde a sua decisão de vetar a entrega dos equipamentos aos hospitais privados.

Mas foi exatamente nesse ponto que a secretaria Beatriz Dobashi, ladeada por Ronaldo Perches, o ex-presidente do HR e da Fundação Estadual de Saúde (Funsau) que dirige o hospital, articularam em Brasília, a recusa dos hospitais públicos em receber os equipamentos do ministério.

Não adiantava mais, porque o Ministério já estava ciente do esquema, alertado pelo Conselho Estadual de Saúde. De posse das denúncias, a diretora geral da Controladoria Geral da União (CGU) no MS, Janaína Gonçalves Theodoro de Faria, iniciou uma investigação no HU, articulada com a PF, segundo ela própria revelou à reportagem.

Documentos apreendidos e as gravações da PF desencadearam a Operação Sangue Frio, comprovando toda a articulação do esquema em favor de Siufi, e revelando uma das supostas mentoras, a ex-secretária de Saúde do MS, Beatriz Dobashi.

Mesmo assim, com tudo isso, dos cinco aceleradores lineares que seriam doados ao estado, ao custo de R$ 7 milhões cada equipamento instalado, dois deles já foram perdidos, como também revelou Midiamax na semana passada, ao apontar que as Santa Casa de Campo Grande e a de Corumbá recusaram os equipamentos em função de contratos com a Neorad.

No entanto, os fatos revelados pelo vazamento das gravações da PF podem mudar toda a situação, a partir das novas posições do Ministério da Saúde. O ministro Alexandre Padilha cancelou uma reunião que teria nesta semana com a CPI da Saúde, da Assembleia Legislativa, para analisar os fatos novos e anunciar a sua decisão.

Diante desse escândalo, não está descartada uma intervenção federal na saúde do MS.

Jornal Midiamax