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“Reincidência de adolescentes no crime pode diminuir com mais empregos”, diz promotora

Antecipando a medida do Sinase, promotorias buscam sensibilizar governo e classe privada para dar mais oportunidades aos adolescentes que cumprem medidas socioeducativas em Mato Grosso do Sul

Arquivo Publicado em 26/01/2012, às 17h13

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Antecipando a medida do Sinase, promotorias buscam sensibilizar governo e classe privada para dar mais oportunidades aos adolescentes que cumprem medidas socioeducativas em Mato Grosso do Sul

A criação de mais órgãos que empregam adolescentes e os encaminham ao mercado de trabalho na Capital, como o Instituto Mirim e o Seleta, seriam uma das soluções para a falta de oportunidade para adolescentes, segundo o Promotor da Infância e Juventude, Sérgio Fernando Harfouche. Atualmente há 12 mil em espera, incluindo os jovens infratores que passam por internação e sofrem ainda mais preconceito por conta dos delitos cometidos.



“No banco de vagas para adolescentes em Campo Grande há 1,5 mil vagas disponíveis. É pouco mais de 10% do necessário. Então o governo e a iniciativa privada devem disponibilizar a profissionalização e mais vagas no mercado de trabalho. O adolescente infrator precisa ser internado e ao mesmo tempo trabalhar, para ter o seu dinheiro lícito e aprender uma profissão”, afirma o promotor



Integração dos órgãos



A favor das parcerias e antecipando a medida prevista na Lei 12.011 do Sinase (Sistema Nacional de Atendimento Socioeducativo), a ser votada em abril deste ano, a Promotora da Infância e Juventude, Vera Aparecida Vieira, conta que o objetivo é evitar a reincidência de adolescentes no crime, percentual que chega a 50% em casos graves (latrocínio, estupro e homicídio).



“O adolescente que cumpre medidas socioeducativas de internação, quando for beneficiado com a progressão, para medida de prestação de serviços a comunidade ou liberdade assistida, deve ser encaminhado com o PIA (Plano de Atendimento Individual). O objetivo é que a equipe técnica (assistentes sociais e psicólogos) tenham o histórico da vida do adolescente, na hora de realizar o atendimento”, explica a promotora, que possui dez anos de atuação na área.



Família desestruturada



Além da oportunidade de cursos e inserção no mercado, a promotora acredita que os técnicos devem realizar visitas constantes a família do interno. “Ontem fizemos uma reunião com o Juiz Roberto Ferreira e esse tema foi muito discutido. Às vezes um adolescente é recuperado, mas volta ao convívio da sociedade e encontra a família toda desestruturada. Os pais, se desempregados ou usuários de drogas, tem de ser encaminhados ao mercado de trabalho e tratamento médico, assistidos pelo governo, para que o adolescente volte para casa e conviva em um ambiente saudável”, avalia a promotora.


Jornal Midiamax