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Hospitais de Dourados reduzem atendimento em agosto e Conselho de Saúde teme caos

Hospital Universitário acumula dívida de R$ 4,5 milhões e Hospital da Vida tem déficit financeiro que chega a R$ 700 mil mensais

Arquivo Publicado em 26/07/2012, às 19h13

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Hospital Universitário acumula dívida de R$ 4,5 milhões e Hospital da Vida tem déficit financeiro que chega a R$ 700 mil mensais

Devido a crise financeira que vem se espalhando pelos hospitais em Mato Grosso do Sul, os atendimentos à população, que depende do SUS, tem sido cada vez mais restringidos. Agora foi a vez do Hospital Universitário de Dourados preparar os cortes. O diretor Wedson Desidério confirmou a informação de que os atendimentos vão ser reduzidos a partir de 1º de agosto, caso não haja aumento no repasse financeiro. O déficit mensal é de R$ 700 mil e o acumulado já chega a R$ 4,5 milhões.

Com isso, um número cada vez maior de pessoas vai sendo empurradas para buscar atendimentos em Campo Grande – onde o Hospital Regional e Santa Casa já não suportam as demandas locais – ou se sacrificam para pagar um tratamento particular.

O diretor do HU disse que equipes da direção já estão elaborando os cortes que serão feitos. A redução foi o único caminho encontrado pela administração para evitar o colapso. “Caso não haja nova contratualização para aumento dos repasses em pelo menos R$ 1 milhão a mais por mês, diferentes setores terão atendimentos reduzidos, porque a situação se tornou insustentável”, afirmou.

No dia 1º de agosto a previsão é cortar seis leitos na UTI adulto e quatro leitos na UTI pediátrica, que não foram habilitados e por isso estavam atendendo a população sem receber o financiamento; diminuir atendimentos ambulatoriais, incluindo as áreas de Ginecologia e Obstetrícia; atender apenas vagas referenciadas (encaminhadas pela central de regulação) como de alto risco na Maternidade; reduzir o quantitativo de exames; e reduzir 10 leitos para HIV/Aids que foram habilitados, mas também não recebem recursos financeiros.

Atualmente o Hospital sobrevive com repasse mensal de R$ 2 milhões, provenientes da prefeitura, Governo do Estado e União e é referência para mais de 800 mil pessoas vindas de Dourados e mais 34 cidades da região. Por mês, cerca de 3,5 mil pessoas passam pelo HU, que realiza uma média de 2,5 mil cirurgias, 350 partos e 700 internações.

Secretária de Saúde não recebeu diretor, mas comunicou repasse de R$ 500 mil

Hoje (26), Desidério iria se reunir com a secretária de saúde do município, Silva Bosso, para tentar encontrar uma solução para o impasse. Contudo, a agenda foi cancelada devido a um compromisso de última hora da secretária, que mandou comunicado informando que entre hoje e amanhã a prefeitura estará repassando R$ 500 mil para o Hospital.

O valor é referente a dívida da prefeitura, que do montante dos R$ 4,5 milhões deve R$ 880 mil para o HU. Mesmo assim, o Hospital explicou que o dinheiro vai resolver apenas a questão da folha de pagamento, já que dos 500 funcionários, 300 iriam ficar sem receber em dia a partir do próximo vencimento.

Hospital da Vida também vai parar a partir do dia 04

O Hospital da Vida, que é gerido pelo Hospital Evangélico em Dourados, e é referência do SUS para Trauma e Emergência na região, também prometeu parar os atendimentos a partir do dia 04 de agosto. De acordo com o diretor clínico, Luiz Carlos Arruda Leme, a fonte de todos os problemas está na falta de repasses.

“O tempo está passando e dia 04 é o prazo fatal. O 1º setor a parar vai ser o de ortopedia e depois segue em efeito dominó. Não temos mais como continuar a receber pacientes. A situação está insustentável. Não podemos nos responsabilizar pela vida das pessoas se não temos suporte para fazer os atendimentos”, declarou.

O diretor do Hospital Evangélico, Maurício Peralta, informou que houve uma conversa com a secretária Estadual de Saúde, Beatriz Dobashi, a respeito da situação de Dourados e que na próxima semana deve ser confirmada uma reunião com representantes do município, secretária estadual e o governador, André Puccinelli (PMDB).

“Até agora nós estávamos tapando o buraco Hospital da Vida com R$ 700 mil mensais, mas não temos mais condições de fazer isso. Como somos contratados pelo município para fazer o serviço deveríamos receber o valor gasto em custeio de volta, mas na prática não é isso que vem acontecendo”, declarou.

O Hospital da Vida vem enfrentando um grave problema de superlotação, denunciado desde o inicio de 2012. A unidade conta com 74 leitos, mas tem mais de 120 pessoas internadas. Além disso, o Pronto Socorro que tem apenas seis leitos atende em média 30 pessoas por dia, as quais ficam espalhadas pelos corredores, tendo chegado ao recorde de 55 pacientes em um único dia neste ano.

Segundo o Conselho Municipal de Saúde, a redução nos atendimentos dos dois hospitais de referência, na 2ª maior cidade do Estado (Dourados), vai causar um colapso. “Quem vier pra cá vai acabar voltando e os daqui não vão conseguir ser atendidos, então precisamos achar uma solução e logo para esse problema”, concluiu.

Jornal Midiamax