Uma palestra mostrando o contexto do aumento de demanda pelo consumo de peixe no Brasil e no mundo e todo o mapeamento sobre os cursos técnicos, de graduação e pós-graduação, deve nortear o debate sobre a implantação de cursos de Aquicultura na UFGD (Universidade Federal da Grande Dourados), durante o Programa de Expansão 2011-2020.

Durante o Seminário “Demandas e Perspectivas da Formação Profissional para o Desenvolvimento da Aquicultura e Pesca”, realizado nos dias 18 e 19 de outubro, no Auditório da Unidade 2 da UFGD, a professora Dra. Elizabete Urbinatti, da UNESP de Jaboticabal/SP, apresentou a evolução do ensino de Aquicultura e Pesca no Brasil.

Elizabete Urbinatti vê o Centro-Oeste como “altamente” e “extremamente favorável” para a criação de cursos de graduação e pós-graduação em Aquicultura. Sobre Mato Grosso do Sul, disse ser otimista quando ao crescimento da piscicultura, tendo em vista que a área é “privilegiadíssima”, pelo clima, abundância de recursos naturais, novos campus e instituições de ensino, recursos humanos migrantes de outras regiões e formados no processo recente de desenvolvimento do setor.

Uma das conclusões da explanação foi de que o número de pesquisas e implantação de cursos acompanhou o contexto de crescimento do setor, já que a demanda por profissionais é fundamental para desenvolver o potencial de produção.

A maioria dos cursos de Engenharia de Pesca surgiu de 2000 a 2010, 16 cursos, enquanto antes só existiam seis cursos no Brasil. Praticamente o mesmo período de tempo que gerou grande salto na produção global de aquicultura, que era de 32,4 milhões de toneladas em 2000 e passou para 52,5 milhões de toneladas em 2008. Outro crescimento constante é o da contribuição global da aquicultura para o consumo, que era de 33,8% em 2000, passou para 45,7% em 2008 e deve ser mais de 50% em 2012.

No Brasil, a taxa de crescimento da aquicultura foi de 54% de 2000 a 2006, ampliando também a necessidade por atividades de pesquisa e formação de recursos humanos.

Primeira do Centro-Oeste
No geral, o país tem poucos cursos de graduação para responder a essa procura. A região com mais cursos de graduação é a Nordeste com 11, seguida pela Norte com cinco, pela Sul com quatro e Sudeste com dois cursos. O Centro-Oeste não tem nenhum curso na área, o que tornaria a UFGD pioneira na região caso consiga implantar graduação com esse foco.

A oferta de formação já é maior na pós-graduação, porque as linhas de pesquisa podem permitir estudar a temática dentro de programas afins, como o de Zootecnia, existente em 47 universidades. Na UFGD, por exemplo, seria possível desenvolver projetos envolvendo questões da aquicultura e piscicultura pelo menos dentro dos mestrados em Agronegócios, Agronomia, Biologia Geral e Zootecnia.

Especificamente em recursos pesqueiros e engenharia de pesca existem nove programas de pós-graduação, nas seguintes universidades: FURG, UFSC, UNESPJB, IP, UFRA, UFAM, UFC, UFRPE, UFC, UFRPE, Unioeste.
Já os cursos tecnológicos reconhecidos pelo Ministério da Educação (MEC) são cinco, quatro criados em 2009 e um em 2006, sendo um na região Norte, um na Sudeste e três na Sul. As regiões Centro-Oeste e Nordeste ainda não tem nenhum curso técnico.

Por esses números, Elizabete Urbinatti defende que o mercado está favorável à formação de especialistas para atender a demanda de pesquisa para geração de conhecimento, que será transformado em tecnologia e em assistência técnica.