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Semana que entra pode ser decisiva para os rumos da Santa Casa de Campo Grande

Conjunto de fatos críticos pode levar os problemas da Santa Casa a uma situação de definição. Médicos, junta interventora, Ministério Público Federal e governos estadual e municipal estão diante de uma crise que está afetando como nunca os pacientes do SUS.

Arquivo Publicado em 19/03/2011, às 19h34

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Conjunto de fatos críticos pode levar os problemas da Santa Casa a uma situação de definição. Médicos, junta interventora, Ministério Público Federal e governos estadual e municipal estão diante de uma crise que está afetando como nunca os pacientes do SUS.

Conjunto de fatos críticos pode levar os problemas da Santa Casa a uma situação de definição. Médicos, junta interventora, Ministério Público Federal e governos estadual e municipal estão diante de uma crise que está afetando como nunca os pacientes do SUS


Pacientes graves sem atendimento adequado, superlotação, estresse elevado, CTIs paradas, desentendimento entre a junta interventora e gestores contratados e negociações emperradas sobre a dupla personalidade jurídica de hospital privado sob intervenção pública desde 2005, colocaram a Santa Casa diante de uma situação limite que deve se desdobrar com força na semana que vem, no tocante ao SUS.


A frase do diretor técnico do hospital ao Midiamax, Dr. Luiz Alberto Hiroki Kanamura, dispensa explicação. “Todos os nossos esforços para atender a demanda estão esgotados.”


O estado de estresse dos médicos mais especializados é mais um elemento explosivo dentro da Santa Casa, apesar do grande empenho profissional.  Descontentes inclusive com os salários, realizaram uma assembléia da categoria, no último dia 14, onde pediram condições de trabalho, abertura dos leitos fechados de CTIs e 25% de aumento de aumento salarial.


Já o Sindicato dos Médicos cogita acionar a Justiça Federal, em função dos problemas do hospital, e deve se pronunciar durante a semana sobre o tema.


Some-se a isso um profundo descontentamento da população com a situação caótica que atinge a saúde no estado em geral, e na Santa Casa em particular.  O Midiamax tem recebidos seguidas denúncias de familiares de pacientes que não conseguem atendimento para casos de urgência, ou que têm sido pressionados para altas no hospital.


Um dos motivos centrais é a falta de leitos disponíveis nas CTIs .  Por falta de equipamentos e reforma, 18 leitos estão fechados aguardando providências. A reportagem esteve nesses locais, mas não pode fotografá-los por orientação da direção da Santa Casa. São salas amplas, isoladas e vazias, sem nenhum equipamento. Na lista de espera na emergência do PS existem pessoas que esperam por CTI ou UTI há mais de dez dias.


O procurador regional dos Direitos do Cidadão, Dr. Felipe Fritz Braga, do Ministério Público Federal, age no sentido de articular um acordo entre a junta interventora, o governo do estado e a prefeitura de Campo Grande e o próprio ministério da Saúde para melhorar o atendimento da população, através de um TAC – Termo de Ajustamento de Conduta – que ainda não saiu do papel.


Segundo o procurador, não existe sintonia entre a direção da junta interventora e duas equipes de especialistas da Unifesp e SPDM contratadas em São Paulo, para melhorar a gestão do hospital. 


Nessa situação ainda pesa o fato de que pacientes graves de emergência, que dão entrada via convênios médicos ou pelo ProntoMed – o setor privado da Santa Casa, ainda disputam as mesmas vagas de CTI e UTI.


Na lista de espera na emergência do PS existem pessoas que esperam por UTI há mais de dez dias ou estão pelos corredores. Note no documento (clique no atalho ao final da matéria para abrir) a sigla “VM”: significa “Ventilação Mecânica”, ou seja, os enfermeiros mantêm pacientes em respiradores manuais, os chamados “ambus”.

Jornal Midiamax