Os espanhóis vão às urnas neste domingo (20) para definir o novo primeiro-ministro do país que, além do cargo, receberá a difícil missão de contornar a pior crise econômica da Espanha nos últimos 40 anos.

Todas as pesquisas assinalam como claro vencedor o opositor Partido Popular (PP), dirigido pelo conservador Mariano Rajoy, 56 anos, que saiu derrotado dos pleitos de 2004 e 2008. Se os prognósticos se confirmarem, o PP deverá desbancar o Partido Socialista Operário Espanhol (PSOE), no governo desde 2004. Se for derrotada no pleito, a legenda será mais uma vítima política da crise na zona do euro, que já levou à troca de governos na Grécia, Irlanda, Itália e Portugal.

A imagem dos socialistas espanhóis foi prejudicada por medidas de ajuste como congelamento das pensões, aumento da idade de aposentadoria de 65 para 67 anos, redução de 5% nos salários dos funcionários públicos e aumento da carga tributária.

As pesquisas mais recentes indicam que o PP deverá eleger entre 192 e 198 candidatos, número muito superior aos 176 deputados que marcam a maioria absoluta no Congresso, a Câmara Baixa do Parlamento espanhol. Os socialistas, por sua vez, poderão sofrer sua pior derrota desde a volta da democracia, com a eleição de apenas 112 candidatos.

Durante a campanha, o socialista Alfredo Pérez Rubalcaba, 60 anos, ex-ministro e ex-vice-presidente, tentou encurtar a distância que separa o PSOE do PP com um discurso contra “o poder absoluto da direita”. Ele também acusou seu adversário de utilizar a crise econômica como principal instrumento da batalha política.

Enquanto isso, Rajoy pediu “tempo” aos mercados para que ele inicie a recuperação do país, caso vença as eleições. “Esperamos que eles (mercados) percebam que há eleições aqui, e que os vencedores têm o direito a um mínimo de tempo, preferencialmente mais do que meia hora”, disse na sexta-feira a uma rádio.

Caso seja eleito, Rajoy só deve tomar posse por volta de 20 de dezembro. Mas, antes disso, espera-se que ele acalme os mercados apresentando detalhes de como pretende reduzir o deficit público e reformar e economia.

O favorito na disputa também pediu ao Executivo que está saindo que não tome “nenhuma decisão” interina que não seja “produto do acordo e com o único interesse de defender o que importa para os espanhóis”.

Sobre este assunto, o ministro porta-voz, José Blanco, disse que o atual gabinete dialogará com o partido que vencer as eleições caso seja necessária alguma medida urgente.

O porta-voz econômico da Comissão Europeia, Amadeu Altafaj, afirmou que “todas as instituições europeias estão ajudando ativamente a Espanha, embora o mais importante, certamente, continua sendo que a Espanha se ajude a si mesma”.

Com a taxa de desemprego mais alta entre as nações industrializadas (22% da população ativa ou quase cinco milhões de desempregados), ameaça de resgate financeiro da União Europeia e risco de recessão, a Espanha terá de controlar os gastos.

Quarta maior economia da união monetária europeia, o país pagava na quinta-feira juros de quase 7% nos seus títulos da dívida com vencimento em dez anos, um valor que economistas dizem ser insustentável, e que já levou outros países a recorrer a ajuda internacional.

No último pregão antes da eleição, a Bolsa de Madri fechou em alta, enquanto Londres, Frankfurt e Paris registraram baixas.

Confiança e propostas
Apesar da ampla vantagem nas pesquisas, o candidato conservador não provoca muito entusiasmo entre os espanhóis. Segundo um levantamento do CIS (Centro de Investigações Sociológicas), Rajoy inspira “pouca” ou “nenhuma” confiança em 71,3% dos entrevistados. Quase alcançando o atual primeiro-ministro José Luis Rodriguez Zapatero, que tem mais de 80% da desconfiança dos eleitores.

Rajoy indicou que pretende introduzir reformas trabalhistas, controlar o déficit público e apoiar pequenos empresários. Mas a falta de uma proposta ampla e clara gerou críticas dentro e fora da Espanha.

Já Rubalcaba, que evitou as entrevistas coletivas durante a campanha e participou de um único debate, disse que a solução para sair da crise é “fazer as coisas bem, e o PP fará as coisas bem”.

Com informação das agências internacionais