A renúncia do primeiro-ministro grego Georgers Papandreou para conter a grave crise política no país, aprofundada pela divisão em torno do referendo do pacote de ajuda europeu, ainda é incerta. Embora o jornal grego “To Vima” e fontes ligadas ao governo tenham confirmado à BBC que o premiê renunciaria após a reunião com o gabinete do governo, a informação foi negada pela TV estatal.
 
Segundo a emissora, com base na declaração de uma fonte do gabinete de Papandreou, o premiê declarou durante a reunião com demais integrantes do governo que não vai deixar o cargo. Ainda segundo a BBC, o gabinete do presidente Karolos Papoulias informou que não há nenhuma reunião agendada para hoje com o premiê, como havia sido divulgado anteriormente.
 
O objetivo da reunião entre os membros do gabinete é avaliar a formação de um governo de transição, proposta feita pelo líder da oposição conservadora grega, Antonis Samaras. O governo transitório teria a missão de aprovar o plano de resgate do país acertado pela União Europeia e convocar eleições legislativas. Um dos nomes mais cotados para assumir o governo transitório é o ex-presidente do Banco Central grego, Lucas Papademos.
 
Papandreou está enfrentando uma revolta do partido depois de surpreender os parlamentares com o anúncio de um referendo sobre o pacote de ajuda de 130 bilhões de euros oferecido ao país na semana passada. O primeiro-ministro propôs o dia 4 de dezembro para ser feita a consulta.
 
O governo está dividido entre realizar ou não o referendo. No entanto, o fim do governo de Papandreou interromperia os planos. Quatro ministros, incluindo o ministro das Finanças, Evangelos Venizelos, já se manifestaram afirmando que não apoiam o plano de Papandreou de realizar um referendo popular sobre o último pacote de ajuda financeira ao país aprovado pela União Europeia.

Além disso, pelo menos três deputados da situação deveriam votar contra Papandreou durante um voto de confiança que o governo enfrentaria nesta sexta-feira.
 
Como a maioria controlada pelo governo é magra – 152 cadeiras de um total de 300 -, a deserção mesmo de três deputados significaria o fim da linha para o governo de Papandreou. Sem a confiança do Parlamento, o gabinete é dissolvido e novas eleições são convocadas.
 
O presidente do Banco Mundial, Robert Zoellick, criticou o referendo anunciado pelo premiê grego. Se a iniciativa for recusada, segundo Zoellick, será um caos.
 
“Se for aprovado (o acordo), poderá ser um sinal positivo para as pessoas. Se fracassar (e a iniciativa for rejeitada), será um caos”, indicou.
 
Em apoio ao premiê, o primeiro vice-ministro de Finanças, Pandelis Ikonomou, considerou que a consulta vai permitir aos gregos dizer “se desejam permanecer no euro. O importante é que a decisão será do povo e não o que impõem os líderes estrangeiros”, defendeu.