Voçoroca avança em direção a loteamento, em área com tubulação de plástico, da época de Puccinelli prefeito e Giroto secretário de Obras

Depois de alertada por moradores do bairro de Nova Lima, sobre o fato de que uma nova voçoroca gigante está crescendo em direção às casas do loteamento Campo Verde, a reportagem do Midiamax percorreu trilhas na mata em que ela se situa, para comprovar a denúncia.

Partindo do loteamento, que fica ao lado da cratera da rua Marquês de Herval – entre a rua e a mata local -, a reportagem chegou a uma grande voçoroca exatamente no local onde a canalização de plástico estava assentada.

Os moradores acreditam que a tubulação se rompeu com o tempo, dando margem a seguidos desabamentos por conta de infiltrações de água na terra. O asfaltamento e drenagem da Marquês de Herval são de 2001.

No local, foi possível comprovar que a grande tubulação instalada para drenar a água da chuva da Marquês, e do próprio loteamento, foi confeccionada com um tipo de tubulação que está se desfazendo.

Com isso, a água aumenta os desabamentos de terra, “engole” a mata nativa e destrói uma nascente. Em determinado trecho, o desabamento se funde com as outras voçorocas que provocaram a cratera de Nova Lima.

Os moradores do loteamento, que acompanham o crescimento da voçoroca, ano a ano, estão apreensivos com a entrada da estação das chuvas porque os desabamentos, que seguem em direção às suas casas, vai se agravar.

Obra antiga é de Puccinelli e Giroto
Normalmente, as canalizações de largo diâmetro são de concreto, como ocorre na própria desembocadura das tubulações que cruzam o subsolo da mata local. É o que demonstra o trabalho de correção da drenagem da Marquês de Herval, que está sendo feita agora, depois do desastre.

A canalização com plástico é obra da época em que a prefeitura de Campo Grande era dirigida por André Puccinelli, que tinha como secretário de Obras, o atual deputado federal Edson Giroto.

No loteamento, o calçamento com blocos que está sobre a canalização de plástico tem uma placa indicativa da sua autoria e a data de construção -2003-.

A mesma coisa ocorre com placa da pavimentação e drenagem da rua Marquês de Herval – que fica bem ao lado do trecho que desabou. A diferença é que as letras que identificavam a obra e sua autoria foram arrancadas.

A reportagem do Midiamax procurou engenheiros especializados da área de drenagem de Campo Grande. Apesar das evidências apontadas pelos moradores de Nova Lima, eles disseram que a denúncia só pode ser comprovada depois de análise da resistência do material plástico da tubulação, do modo como foi assentado no local, da quantidade de água que transporta, e no projeto da obra e sua execução.

Nesse caso, só iniciativas da Câmara dos Vereadores, ou do Ministério Público Estadual e Federal (houve emprego de verbas federais) poderiam elucidar a questão.