Manifestantes egípcios passaram a noite de domingo para segunda (28) na Praça Tahrir, no Cairo, em protesto. Hoje começam as eleições legislativas no país. A Praça Tahrir se transformou em símbolo de resistência e contestação. A previsão é que cerca de 40 milhões de eleitores votem no Egito, nas primeiras eleições parlamentares desde a queda do ex-presidente Hosni Mubarak, em 11 de março deste ano.

O Ministério dos Negócios Estrangeiros do Egito confirmou que sete organizações não governamentais (ONGs) estrangeiras, incluindo a fundação do ex-presidente norte-americano Jimmy Carter (Centro Carter) acompanharão as eleições no país. Em nove dias de protestos, as ONGs estimam que pelo menos 40 pessoas morreram e mais de 2 mil ficaram feridas.

Desde o dia 19, protestos violentos e embates entre manifestantes e policiais ocorrem em todo o país. Os manifestantes reivindicam a saída imediata dos militares do poder. Após a renúncia de Mubarak, assumiu o governo o Supremo Conselho das Forças Armadas sob o comando do marechal  Hussein Tantawi. Para os egípcios, os militares mantêm antigas práticas e violam os direitos humanos.

Mais de 10 mil candidatos disputam as eleições no Egito. A votação para a escolha dos deputados será supervisionada por magistrados e ocorrerá em  três zonas eleitorais distintas em nove províncias. No Cairo e em Alexandria, a segunda maior cidade do Egito, os eleitores votam a partir de hoje. Mas há um segundo turno previsto para o dia 5.

Dois terços dos parlamentares serão escolhidos por um sistema proporcional com base em uma lista partidária. O terço restante será composto pelos candidatos mais votados, em um sistema de maioria absoluta.

As eleições para as 180 cadeiras do Conselho da Shura (Senado) estão marcadas para 29 de janeiro do próximo ano e a eleição presidencial deve ocorrer até junho de 2012. Nas votações de hoje será a primeira vez que os egípcios que moram no exterior poderão votar.

Durante o governo Mubarak, o Parlamento do Egito foi dominado pelo Partido Nacional Democrata (PND) e pela lealdade ao governo. Após a queda do ex-presidente, o Parlamento foi dissolvido. O futuro Parlamento terá de formar uma comissão para elaborar a nova Constituição.

Com informações da agência pública de notícias de Portugal, Lusa, e da BBC Brasil