Ele foi o maior adversário e, por muito tempo, um desafeto. Mas no fim da vida se permitiu enxergar a rivalidade de outra forma. Andy Irons tinha certeza de que Kelly Slater chegaria ao seu 10º título mundial na temporada passada. Não teve tempo de vê-lo alcançar a façanha, que acabou sendo dedicada a ele. Nesta quarta-feira, em São Francisco, Irons foi homenageado e lembrado no aniversário de um ano de sua morte, enquanto Slater escreveu mais um grande capítulo em sua vitoriosa carreira: o 11º título mundial.

– Tive muito apoio aqui. Eu não sabia o que esperar, mas todos estão sendo ótimos, tem sido especial. Não sei o que aconteceu com o tempo e com as ondas. Deve ser Andy. É meio estranho. Eu estava pensando sobre muitas coisas, estive pensando muito nele nos últimos dias. De um jeito, torna isso mais especial. Acho que celebra as lembranças que eu tenho dele. Eu provavelmente poderia escrever um livro de memórias nossas, as boas, as ruins, as feias – disse Slater à transmissão oficial.

Era a 11ª vez que Kelly Slater levantava o troféu de campeão mundial do surfe. Mas ainda dava para ser novidade para ele. Campeão em 1992, 1994, 1995, 1996, 1997, 1998, 2005, 2006, 2008, 2010 e 2011, pela primeira vez o surfista da Flórida conquistou o título mundial nos Estados Unidos.

O 11º título mundial veio depois que o americano derrotou o australiano Daniel Ross passou para a quarta fase na etapa de São Francisco, mas Kelly Slater precisou suar. Ross abriu a sexta bateria com um 7,70 e aumentou sua vantagem com um 5,00 na segunda onda. Slater diminuiu a distância com uma nota 6,00 na quarta onda, o aussie respondeu com um 6,70, mas o surfista dos Estados Unidos tirou um 7,53 para deixar a bateria equilibrada.

A bateria já se encaminhava para o fim, e Kelly Slater precisava de um 6,88 para tomar a liderança e chegar ao título. Aproveitou tudo de uma onda e, faltando 1m07s, a nota 7,60 fez a praia explodir de felicidade. Com 15,13 contra 14,40, a vitória era americana.

– Eu não ganhei sem esforço. Disputei muitas baterias contra o Ross nesta temporada e sabia que ele era perigoso nessas condições. Eu estava um pouco fora de sincronia no início. E não estava conseguindo ouvir direito. Ele me deu parabéns pelo 11º título e pensei ‘Acho que venci’. Eu estava nervoso, estou apenas feliz que isso acabou. É uma satisfação pessoal. Todo o esforço do ano é recompensado – destacou o campeão pela 11ª vez.

A bateria seguinte, com o segundo do mundo Owen Wright, já havia começado, mas Slater aproveitou para iniciar a comemoração com mais uma onda encerrada com um aéreo. Deixou a água para ser carregado pela multidão que o esperava na praia.

Foram três vitórias em 2011, a primeira logo na estreia, na Gold Coast, na Austrália. Depois de ficar fora da quarta etapa, em Jeffreys Bay (África do Sul), o americano voltou para vencer em Teahupoo, no Taiti, ficar com o vice em Nova York e o primeiro lugar em Trestles, na Califórnia.

O pior desempenho de Slater foi justamente no Rio de Janeiro, um 13º lugar. Teve ainda outro vice-campeonato, em Portugal, derrotado na final pelo brasileiro Adriano de Souza. E duas quintas colocações, em Bells Beach (Austrália) e na França.