O novo premiê da Itália, Mario Monti, venceu na noite desta sexta-feira (17) o voto de confiança no Senado, passando assim pelo primeiro teste de seu governo de tecnocratas.

Monti venceu com 281 votos contra 25. Havia 307 senadores presentes.

A Câmara dos Deputados ainda precisa votar a moção, possivelmente na tarde de sexta-feira. Também é esperada uma vitória fácil.

Mais cedo, em seu primeiro discurso no Senado, Monti prometeu que aplicará um programa baseado em “rigor, crescimento e equidade” e advertiu que “o futuro do euro depende também do que a Itália fizer”.

O respeitado economista, que se encontra numa corrida contra o relógio com os mercados, apresentou nesta quinta-feira seu programa para salvar o país da crise da dívida que acossa a zona euro.

“A falta de crescimento anulou os sacrifícios” feitos pelos italianos após a aplicação de vários planos de austeridade, ressaltou Monti, que se comprometeu a alcançar o equilíbrio orçamentário para 2013.

“A Europa vive os anos mais difíceis desde a Segunda Guerra Mundial”, afirmou o ex-comissário europeu, antes de pedir o voto de confiança .

 economista assumiu na quarta-feira o cargo de primeiro-ministro da Itália e apresentou sua equipe de governo, formado apenas por tecnocratas, no qual reservou para si a delicada pasta de Economia.

“O futuro do euro também depende do que a Itália fizer na próxima semana”, reconheceu o ex-comissário europeu.

“Não consideramos as exigências da União Europeia (UE) como algo imposto desde o exterior. Não estamos em frentes diferentes. A Europa somos nós”, disse.

“Devemos convencer os demais de que começamos a reduzir a relação entre dívida e PIB, dívida que chegou ao nível de 20 anos atrás”, ressaltou.

Monti substitui o “Cavaliere” Silvio Berlusconi ao término de uma transição relâmpago, que busca tranquilizar os mercados diante de uma das crises econômicas mais graves da história recente da Itália devido a sua gigantesca dívida pública, de 1,9 trilhão de euros (120% do PIB).

O novo primeiro-ministro também prometeu uma reforma do sistema de aposentadorias, assim como do mercado de trabalho.

“O mercado de trabalho deve ser reformado para que seja mais equitativo. Há trabalhadores muito tutelados e outros sem nenhum amparo”, disse. Tratam-se de duas reformas chaves pedidas pela União Europeia e pelos mercados.

O sistema de aposentadorias na Itália é um dos mais sólidos do continente, mas “apresenta amplas desigualdades e há camadas privilegiadas sem justificativa”, disse.