De acordo com Maria de Lourdes, a mãe negou que tinha dado as chaves para o filho no dia do acidente (19), mas admitiu que ‘poderia ter deixado as chaves em local de fácil acesso, como na cozinha da casa, por exemplo’. “Mas isso não muda os rumos da investigação. A mãe deverá sim responder por omissão de cautela”, disse a delegada.

A delegada titular da Deaij (Delegacia Especializada de Atendimento à Infância e Juventude) Maria de Lourdes Cano continua investigando o caso do grave acidente de trânsito, quando sete menores de idade estavam no mesmo carro, inclusive o motorista.

Na manhã desta quinta-feira (24), a polícia ouviu a mãe do adolescente de 15 anos que dirigia o veículo em que José Eduardo Manzione, de 15 anos, morreu.

De acordo com Maria de Lourdes, a mãe negou que tinha dado as chaves para o filho no dia do acidente (19), mas admitiu que ‘poderia ter deixado as chaves em local de fácil acesso, como na cozinha da casa, por exemplo’. “Mas isso não muda os rumos da investigação. A mãe deverá sim responder por omissão de cautela”, disse a delegada.

Nos autos do processo, foi checada uma denúncia em que os pais teriam dado o automóvel (um Honda City) como presente de aniversário de 15 anos ao adolescente, mas a mãe disse que a informação não procede.

Em uma parte fundamental do interrogatório, a delegada perguntou: “Vocês (pais) teriam ensinado o filho de vocês a dirigir? Como ele aprendeu a conduzir um carro?”. Segundo Maria de Lourdes, a mãe respondeu o seguinte: “Não sei te explicar perfeitamente. Acho que ele aprendeu a dirigir com esses jogos eletrônicos, tipo vídeo games”. A delegada então disse que há uma grande diferença entre “manusear jogos eletrônicos e dirigir um automóvel de verdade”.

A titular da Deaij informou ainda que, no final da investigação, os pais poderão responder por outros tipos de crimes previstos no Estatuto da Criança e do Adolescente. “Por causa da negligência desses pais, como exemplo, colocando a própria vida do menino em risco quando deixavam o menor dirigir sozinho o carro”.

O dono da conveniência

Na última terça-feira (22), policiais da Deaij estiveram na conveniência onde os menores compraram bebida alcoólica, na Chácara Cachoeira, nas proximidades de onde acontecia a festa do grupo de amigos.

Naquele dia (terça), no local, de acordo com a delegada, o proprietário negou que teria vendido bebidas para o grupo, que havia na verdade algum mau entendido. Mas hoje, durante o interrogatório, a informação dele foi outra. “Ele voltou atrás e revelou à polícia que tinha sim vendido bebida alcoólica para os adolescentes”, afirmou a delegada.

“O proprietário comentou que os menores eram grandes (ou seja, apresentavam porte físico avantajado) e não aparentavam ser menores de idade. E ainda devido à grande movimentação, à correria na conveniência na tarde daquele sábado, os funcionários acabaram não pedindo documentos dos adolescentes”

Em conversa com um repórter de TV, o advogado do proprietário da conveniência disse que há cartazes no estabelecimento com a mensagem ‘proibido a venda de cigarros e bebida alcoólica para menores’. E que o cliente já estaria pensando em colocar um segurança na porta do estabelecimento para controlar justamente a entrada de menores na conveniência.

A delegada citou que o dono do estabelecimento afirmou ainda que ali (Chácara Cachoeira) bairro nobre de Campo Grande, a ‘clientela dele é diferenciada’, de classes sociais média e alta principalmente. “O dono falou também que é muito comum quando pais chegam, estacionam os carros na calçada e ficam dentro do veículo enquanto os filhos buscam a bebida. Mas de qualquer forma, ele confirmou que percebeu que o motorista (o menor) deu ré e já saiu cantando pneus em alta velocidade”.

A delegada lembrou que, mesmo que um adolescdente esteja acompanhado dos responsáveis, o estabelecimento não pode vender bebida alcoólica a menores de idade. “Em situações assim, o comerciante e o pai do adolescente podem responder criminalmente”.

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