Segundo informações, o acampamento Tekoha Guaiviry foi atacado por cerca de 40 homens armados por volta das 6h de hoje

Nizio Gomes, líder indígena de aldeia de Amambai, sul do Estado, foi assassinado na manhã desta sexta-feira (18), por voltas das 6 horas, no Tekoha Guaiviry, recentemente retomada pelos Guarani-Kaiowá, que estavam assentados na beira da BR-386, que liga Ponta Porã à cidade de Amambai.

Segundo informações repassadas, às pressas, pelo filho da liderança assassinada, Valmir Gomes, um grupo de homens armados chegou à área, em uma caminhonete, e três deles, trajados com uniforme militar, efetuaram os disparos fatais diretamente contra Nizio Gomes – que liderou a retomada da área à cerca de 15 dias. Segundo informações, diversos tiros atingiram a cabeça, o peito, braços e pernas do indígena.

As mesmas informações dão conta de que os tiros também atingiram uma mulher e uma criança, que morreram na hora. Depois do assassinato, segundo Valmir, os corpos das vítimas foram recolhidos pelos assassinos, e foram levados em uma caminhonete para local ainda desconhecido. Lideranças indígenas suspeitam que os corpos possam ter sido levados para o Paraguai, o que dificultaria o reconhecimento.

Os indígenas guarani-kaiowá realizaram o Aty Guaçu, grande reunião de lideranças da etnia, na quarta-feira (16) um ato de solidariedade ao grupo de Guaiviry. Segundo informações, depois da visita ao local, o ônibus dos indígenas foi retido por fazendeiros armados, sendo liberado após várias horas de negociação com os indígenas.

FUNAI de Ponta Porã, responsável pelos indígenas da região de fronteira, enviou funcionários para o local e deve se pronunciar oficialmente sobre o assassinato ainda nesta tarde.

A área em disputa faz parte de um TAC (Termo de Ajuste de Conduta) assinado em Brasília, diretamente pelo Ministério Público Federal e a Funai e todas as lideranças indígenas da região, em novembro de 2007.

O TAC prevê a retomada dos “Tekoha”, a área tradicional originária de cerca de 39 comunidades indígenas, expulsas da terra, remotamente, por fazendeiros que ocuparam a área.

Segundo lideranças indígenas que estão rumando para a região, às fazendas são a Ouro Verde Chimarrão, Querência e Nativa.