O Conselho Regional de Engenharia, Arquitetura e Agronomia de Mato Grosso do Sul reelegeu Jary de Carvalho e Castro para mais três anos, com 1.182 votos.

Castro é natural de Campo Grande e se formou em engenharia civil no Rio de Janeiro. Retornando a sua cidade natal se casou e tem dois filhos.

O engenheiro civil recebeu o Midiamax e falou um pouco do trabalho realizado pelo conselho, sobre o desenvolvimento de Campo Grande e o crescimento da construção civil em nosso estado e no Brasil.

O presidente destacou a relevância a ação do CREA, seja no acompanhamento das lavouras pelos engenheiros agrônomos, ou a construção de uma ponte. Tudo precisa de um responsável.

Confira a entrevista com o presidente do CREA/MS, Jary de Carvalho e Castro.

Midiamax – Você dará continuidade a sua gestão, mas isso também significa um novo desafio. Como você avalia o trabalho do CREA?

Jary – O CREA defende a sociedade dos leigos e maus profissionais. Não somos, mas estamos aqui como um cartório e vamos analisar chegar a uma obra, uma reforma, ou uma ampliação, ou uma lavoura, uma plantação, onde precisa ter um engenheiro agrônomo e em uma obra precisa ter um engenheiro civil e profissionais para os projetos complementares, porque uma obra envolve várias coisas, não é só a arquitetura e a engenharia civil. Nós temos o engenheiro eletricista, responsável pelo projeto elétrico, a parte de lógica, de informática, segurança, estrutural, é um leque de profissionais envolvidos no projeto. Então, quando nós vamos fiscalizar uma obra, qualquer tipo de obra, independente do tamanho, nós vamos verificar se tem quadro de obra, se tem a ART (Anotação do responsável técnico), que é um documento importantíssimo, entre o contratante e o contratado, se tem os projetos, não só o arquitetônico, mas os complementares, enfim, caso a caso e aí nós vamos fazer essa fiscalização.

A nossa fiscalização é orientativa, nós não vamos a campo para punir ninguém e sim para orientar. Caso detectamos algum problema, nós criamos a carta orientação, que ela determina o que tem que ser apresentado e qual o prazo. Então é um conselho orientativo. E aí, em cima disso nós estamos cumprindo a nossa missão, que é defender a sociedade.

Midiamax – O CREA tem realizado vários trabalhos, não são os específicos do conselho. Quais são esses trabalhos e como funcional?

Jary – Hoje em dia o CREA tem realizado o combate a dengue, não só em Campo Grande, mas em outros municípios do nosso estado. A acessibilidade e a mobilidade urbana, o CREA de Mato Grosso do Sul coordena nacionalmente, dentro do colégio de presidentes, há três anos consecutivos esse trabalho sobre a mobilidade urbana. Assuntos ligados a cercas elétricas, nós ajudamos a regulamentar. E é um trabalho no Brasil inteiro, pois nós somos 27 CREA e temos reuniões praticamente mensais com todos os presidentes, juntamente com o nosso presidente maior, que é o presidente do CONFEA, para a gente discutir esses assuntos. Ainda mais nesse momento de 2007 para cá, que o Brasil vive em crescimento acelerado, cada vez mais nós somos bastante cobrados e temos que estar respondendo de pronto, parcerizando com os colégios e entidades.

Midiamax – Como tem sido a sua gestão?

Jary – A nossa gestão foi assim, uma gestão brindada onde nós fomos o candidato mais bem votado do país. Isso nos dá credibilidade e nos mostra que estamos no caminho certo. Mas, também sabemos que temos que trabalhar bastante, porque aumenta a nossa responsabilidade.

É o grupo. Nós pensamos assim, não é o presidente, são os diretores, os conselheiros, os funcionários, são parceiros, a imprensa, que sempre tem nos assessorado e ajudada a divulgar o nosso trabalho, quer dizer, ninguém é nada sozinho. Então, o CREA ganhou porque ele conseguiu fazer os compromissos e cumprimos. Nós dinamizamos o nosso conselho, implementamos a gespublica, que é uma analogia a iniciativa privada, a ISO 9000, onde nós vamos a busca dessa excelência de atendimento e de procedimentos, de normatizações, todo esse trabalho a gente vem fazendo para que realmente cumprir com as três palavras que nós escolhemos como slogan de nossa primeira eleição que era: união, compromisso e transparência. Agora daremos continuidade com o compromisso, não tem como não usar essa palavra; a união, hoje o nosso CREA é bastante unido; e inovação, cada vez mais melhorarmos o atendimento a sociedade, no quesito informática.

Hoje, no nosso CREA é praticamente, o profissional só vem aqui quando há realmente a necessidade, quase que 90% ele resolve a vida dele com o notebook, com o computador, seu PC em sua casa, onde ele estiver, consegue resolver os seus problemas.

Midiamax – Como você avalia o crescimento e o desenvolvimento de Campo Grande?

Jary – Não é só Campo Grande e o Mato Grosso do Sul, é o Brasil inteiro. Hoje, o Brasil vem rankiano próximo de ser a sexta potência do mundo. E é por causa deste desenvolvimento.

O Brasil está um verdadeiro canteiro de obras. Nós ficamos praticamente 30 anos parados, sem investir em infraestrutura, estagnado e não havia investimento na área de engenharia e hoje realmente tem. Tanto que se observa a procura por parte dos estudantes para cursarem as engenharias e isso é reflexo do que está acontecendo com o nosso país. Estamos tendo um crescimento muito grande e aumenta nossa responsabilidade de capacitar profissionais.
Aqui nós temos as entidades que trazem cursos palestras, workshop, investimentos para que nós possamos capacitar os profissionais.

A capacitação nós fizemos na primeira gestão e vamos dar continuidade. Hoje nós sabemos que o engenheiro não se forma em cinco anos, se forma em quarenta nos, depois que se forma precisa continuar se capacitando e a evolução é muito grande. Se a gente fala em informática, um ano é um século de evolução. O profissional, a sociedade o cobra, o cliente vai cobrar que ele esteja adequado com as novas tecnologias e nós CREA, parcerizado com universidades, enfim, com vários órgãos, também estamos buscando capacitar os profissionais.

Midiamax – Como será o projeto CREA Sênior?

Jary – O CREA Sênior é uma proposta diferente, porque na verdade, nós queremos é trazer aquele profissional que está afastado do mercado de trabalho, por “N” motivos, por esses trinta anos de estagnação, por na época não ser um profissional bem remunerado, que hoje é bem remunerado, o conselho quer capacitá-los e o CREA Sênior vai fazer esse trabalho e resgatar esses profissionais para que o mercado o absorva. E o mercado está absorvendo muito. Nós temos mais solicitação do que demanda. Então, nós estamos formando 30 mil engenheiros e precisando de 60 mil por ano, no Brasil. Há uma defasagem muito grande e se nós não acharmos uma estratégia corremos o risco de ter um apagão de mão de obra qualificada, como já temos nos canteiros de obras. Falta carpinteiro, marceneiro, temos uma lacuna muito grande, pois o pai não ensinou ao filho, o filho foi fazer outra coisa.

Midiamax – A gente pode dizer que Campo Grande é outra cidade?

Jary – Sim. Eu nasci aqui e quando eu fui estudar fora, 1978, 1979, já houve realmente um boom aqui em Campo Grande, porque virou capital. E agora, depois de 2007, não só Campo Grande, mas o Brasil inteiro está nesse crescimento aceleradíssimo.

Midiamax – Usando Campo Grande como referência e observando a evolução de obras como as dos córregos, o CREA também acompanha o que é realizado nos municípios?

Jary – Em uma reforma, ampliação, ou na execução de uma obra, os nossos fiscais vão estar a campo, rodando ai no estado. A gente também recebe solicitações para fiscalizar. Nós temos parcerias com prefeitura, com o Ministério Público, então nós estamos sempre interligados com órgãos fiscalizadores. Quando o CREA vai a campo, ele vai averiguar se existe um profissional responsável por aquela obra, se a empresa está registrada, enfim, todo esse procedimento.

Como nós já tivemos problemas devido às enchentes, temos comissões para dar subsídios técnicos para o poder público. Então, por isso essa parceria com o poder público. E, é muito importante os nossos técnicos passarem essas informações para o poder público e o poder público acatar as orientações, conforme foram feitas, porque tem um grupo que se reúne, com professores, com técnicos, com profissionais autônomos, empresários, ligados a determinados assuntos que vão dar as informações, dando subsídios.

Midiamax – A população precisa se conscientizar de seu papel para manter as cidades?

Jary – A população precisa ajudar o poder público. É inadmissível você ver uma pessoa jogando uma garrafa estando num ônibus, ou em um carro de luxo, ou em uma motocicleta. Isso é inadmissível porque ele está contribuindo para que ocorram catástrofes na cidade. Ele mora nesta cidade e pode vir a ocorrer com pessoas que são ligadas a ele. Então é importante a conscientização, é importante a educação da população, como é importante a discussão.
Nós acreditamos que precisam ser debatidos esses assuntos e estamos abertos. Por exemplo, o trânsito tem que ser debatido. Essas obras de drenagem, nós acreditamos que tem que ser debatido. Todo e qualquer assunto tem que ser debatido. O CREA, ou ele participa, ou ele proporciona essas discussões e convida.

Temos uma parceria com a câmara, que quando um vereador vai legislar alguma lei que tem assuntos ligados a nossa área técnica, ele tem o CREA como parceiro.

Midiamax – Projeto Cura, Jaime Lerner e Campo Grande?

Jary – Jaime Lerner é um arquiteto de renome mundial, foi prefeito de Curitiba, governador do Paraná e ele ajudou aqui no plano diretor de Campo Grande e como se pode observar, as ruas largas, avenidas largas foi feito com profissionais ligados a engenharia e arquitetura.

Jaime Lerner eu sei que ele ajudou a fazer os estudos do plano diretor e isso contribuiu, pois a cidade está crescendo de uma forma ordenada.

Campo Grande não tem tantos problemas em sua estrutura, porque foi acatado o que foi determinado pelos engenheiros, pelos arquitetos, pessoas que estudaram. Então isso ajudou para que nossa cidade fosse planejada e tem sido desta forma, para que a gente tenha qualidade de vida. Não adianta crescer sem qualidade de vida. É importante acatar as determinações de estudos técnicos. Estudo técnico, em parceria com o poder público, a sociedade é beneficiada.

Midiamax – Como o CREA avalia o plano de revitalização do centro de Cmapo Grande?

Jary – Eu vejo como necessário, com muito bons olhos você revitalizar. Nós temos no Rio de Janeiro, na região dos portos está sendo revitalizado. O Recife antigo está sendo revitalizado. Isso aí é qualidade de vida, é atração para o comércio e para o turismo, geração de riqueza e de emprego. Tanto emprego para as pessoas que trabalham na região, como para os engenheiros, arquitetos, para todos nós e é isso que queremos. Essa roda do desenvolvimento girando, mas girando de uma forma ordenada.

Midiamax – O que Mato Grosso do Sul pode esperar desses próximos três anos da sua gestão, enquanto CREA para a sociedade?

Jary – Cada vez mais o entrosamento. O slogan da nossa primeira gestão foi compromisso, dinamismo e transparência. Demos mais transparência, não que não tivesse, mas quanto mais melhor. Agora, compromisso, união e inovação. E a união é uma palavra muito forte que nós estamos utilizando. Não só a união entre nós aqui, com os nossos profissionais, mas união com a sociedade , com o poder público, para que a gente possa somar e cada vez mais atender as demandas.

As demandas aumentaram muito e nós temos que estar aí capacitando, interagindo e indo aos locais. Nós trabalhamos muito forte nesta primeira gestão a integração de todos o Mato Grosso do Sul e nós vamos continuar essa integração, conquistando espaço nacionalmente.
Hoje o CREA Mato Grosso do Sul é respeitado pelo seu trabalho no CREA Júnior, respeitado na acessibilidade e mobilidade urbana, então queremos cada vez mais sermos reconhecidos, não por vaidade, mas sim por mostrar que o povo sul-mato-grossense, que o profissional, o poder público, as empresas são sérias e querem o melhor não só para o estado, para o país, mas para o mundo.

Midiamax – Campo Grande pode ser considerada uma cidade acessível?

Jary – Sim. Campo Grande, se fosse para dar um selo de acessibilidade, ainda não. Nós temos muito que fazer. Muito já foi feito e há doze anos o CREA/MS vem trabalhando fortemente a acessibilidade e a mobilidade urbana. E, muita coisa nós observamos que já foram feitas. Mas, muita coisa precisa ser feita. E, a acessibilidade ela é igual, fazendo uma analogia ao meio ambiente, ela precisa de um trabalho diário e continuo. Não adianta você pegar o meio ambiente hoje e deixar. A acessibilidade é mais ou menos assim, não adianta fazer essas calçadas e largar, precisa dar continuidade e as próximas calçadas com mais planejamento, cobrança de lugares acessíveis e que tenhamos um mundo melhor para todos. Acessibilidade não é só para quem usa cadeira de rodas e muleta, é para o deficiente visual, auditivo, obeso, a gestante, o idoso, as pessoas com mobilidade reduzida, ou temporária.

E, eu vou trazer essa discussão para dento do CREA, que é um problema sério, que é a questão dos acidentes com motocicletas. Não só em Campo Grande, ou Mato Grosso do Sul, isso é uma epidemia que está acontecendo no Brasil inteiro. Então é uma discussão que tem tudo a ver com acessibilidade e mobilidade urbana.