Grávida de cinco meses, Cintya Maria Ruiz Savala, 34 anos, morreu na tarde desta quinta-feira (17) após esperar cerca de 10h para ser transportada para o pronto socorro do Hospital Regional para atendimento especializado. A jovem estava no Posto de Saúde Guanandy e esperava por uma ambulância para ser transportada.

“Como a gente sai com uma filha para ter atendimento médico e volta para casa com ela morta”, pergunta a mãe inconsolada. Dona Inerzita Ruiz, 55 anos, questiona o mau atendimento e a falta de informações no posto de saúde. Segundo ela, por várias vezes tentou falar com a médica que estava de plantão, entretanto apenas o agente patrimonial lhe passava as informações.

“Eles não vinham falar comigo, eu ficava perguntando e ninguém dizia nada. Não me deixaram nem entrar pra ver minha filha. Eu que fui entrando e a vi lá toda ensanguentada e ninguém fazia nada”, diz.

Dona Inerzita conta que ligou para o genro, Odélio Franco, 34 anos, por volta das 5h da manhã para socorrer a filha que estava com muita dor. Ao chegar ao local Odélio percebeu que Cyntia estava muito debilitada e chamou o Samu (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência).

Segundo Franco, o Samu levou cerca de 30 minutos para chegar ao local. Lá pegaram Cyntia e a levaram para o Posto Guanandy junto com a mãe. “Foi ai que começou o problema”, aponta.

“Lá no posto deram soro para a Cyntia, não sei dizer se havia medicação ou não, eles apenas nos disseram que ela estava sendo medicada e que era pra gente ficar tranqüilo porque estava tudo bem”.

Entretanto, ele conta que por volta das 10h da manhã a sogra conseguiu driblar a segurança e entrar onde Cyntia estava e a viu toda ensanguentada. “Ela tava jorrando sangue, já tinhas dois lençóis todo sujo de sangue e eles não faziam nada para conter a hemorragia. Minha sogra falou que queria tira-la de lá e levá-la para outro lugar. Eles não deixaram”.

Segundo Odélio, por várias vezes eles tentaram falar com o médico plantonista e tentar levar a jovem para outro local onde pudesse ter um atendimento mais especializado, no entanto, o médico não vinha conversar com eles e enviava ‘recados’ pelo agente patrimonial.

“Só a guarda vinha falar com a gente, ficamos lá sem saber o que estava acontecendo”.
Odélio aponta ainda que segundo informações repassadas à família não havia vaga em nenhum pronto socorro da cidade. E somente lá pelas 17h eles conseguiram levar Cyntia para o pronto socorro do Hospital Regional. Infelizmente Cyntia já havia perdido muito sangue e não resistiu.

Cintya deixou dois filhos, um de 9 e outro de 13 anos.

Manifestação

Às 16h30 desta sexta-feira (18) a família de Cyntia e a Associação de Vítimas de Erros Médicos de Mato Grosso do Sul vão fazer uma manifestação pacífica em frente ao Posto Guanandy.

Segundo Valdemar Moraes de Souza, 50 anos, presidente da associação o objetivo é chamar atenção da sociedade para que as pessoas percebam que a negligência médica mata.