Com a alegria e a ansiedade de quem espera um grande momento e a confiança de quem coloca em sua arte a verdade que vivencia, Therezinha Mandetta Trad, em meio aos preparativos para sua primeira grande exposição na Art Galeria Mara Dolzan, concedeu a entrevista que foi a base desta matéria. Enquanto observava sua arte ganhar os espaços da galeria, junto da marchand Mara Dolzan, a artista falou sobre o sentido da arte em sua vida e das expectativas para o evento.

Os melhores momentos de uma longa amizade

Com a proximidade da data de sua primeira exposição, Therezinha relembrou sua trajetória com a arte como uma longa e espontânea amizade. Antes mesmo dos três anos de idade, já gostava de colorir tudo à sua volta com seus crayons e aos doze anos, mais conduzida pelo autodidatismo e curiosidade, já contava com uma produção inicial. O que antes parecia uma diversão infantil se mostrou um dom e a artista, utilizando o quadriculado, deu o primeiro passo para um trabalho mais elaborado. Mesmo com conhecimento técnico e teórico, aperfeiçoado com o tempo, a relação de Therezinha com a arte sempre se conduziu pela busca natural da expressão. Como não poderia ser diferente, o dia-a-dia se tornou sua maior inspiração para a pintura.

Nunca tive uma classe especial de artes. Sou curiosa. Autodidata total. Gosto do desafio. Desde pequena, sempre gostei de rabiscar (Therezinha Mandetta Trad).

Quando se casou, Therezinha se dividiu entre a família e o trabalho, lecionando e cuidando do lar. Esse foi o único período no qual se afastou da arte: o tempo, inicialmente curto, logo se esgotou, principalmente a partir do final de década de sessenta. Até o início dos anos noventa, a artista se especializou na área de educação, chegando ao mestrado, sempre ativa familiar e profissionalmente. Logo no começo da década de noventa, com a mudança para Brasília (Distrito Federal), motivada pela eleição do marido, Sr. Nelson Trad, Therezinha se viu na expectativa de um recomeço. A mudança trouxe o contato com a artista plástica Beatriz Ribeiro, formada pela antiga Universidade Federal do Rio de Janeiro e com seu marido, o professor Milton Ribeiro. Logo, o contato se transformou em aulas de pintura que lapidaram ainda mais o talento da artista, nos moldes que os alunos da Universidade de Brasília recebiam. Foram anos de prática, nos quais aprendeu várias técnicas que aumentaram a consistência do seu material artístico e que representaram uma retomada, quando a pintura recuperou seu espaço na vida de Therezinha.

Naquela época, a pintura estava renascendo em mim. Hoje, ela é tudo… Mas, também é uma terapia. Pego um pincel e pinto o que vem: por isso saem coisas tristes, alegres, flores, castelos… tudo! (Therezinha Mandetta Trad).

Da retomada até a Exposição Melhores Momentos, foi um caminho rápido. O dom encontrou a hora e a vez de chegar ao grande público, em uma exposição em que o tema central mostra que se trata de uma artista singular: o futebol brasileiro. Uma expressão da alegria nacional, mas também parte importante da vida de Therezinha. Sua vida familiar foi e é marcada pela paixão pelo esporte:

Quando fui para minha lua de mel, minha primeira saída foi para assistir a um jogo do Santos contra o Botafogo. Quando os meninos eram pequenos, o Nelson fundou um time, com a estrelinha do Botafogo… Ah, era uma beleza… Eu tinha aquilo com meus filhos, achava lindo vê-los uniformizados! (Therezinha Mandetta Trad).

A união da pintura e do futebol resultou nas obras da Exposição Melhores Momentos. Nela, o público verá telas inspiradas nos times e ídolos do futebol, na alegria das torcidas, nas luzes e cores dos gramados. Uma proposta vibrante como o próprio esporte e instigante: para a marchand Mara Dolzan, o tema inusitado colabora para a ampliação do olhar sobre a pluralidade da arte. Mas se resta alguma dúvida sobre o tema da exposição, a artista tem uma resposta que deixa clara sua paixão pelo esporte: “Ora, mas quem não gostaria de ver o seu time sendo ovacionado? ”.

A técnica empregada na produção das obras deu ainda mais movimento e textura à proposta: são óleos sobre tela espatulados. Neles, as tintas foram aplicadas sem solventes e com o uso de espátulas, o que conferiu ainda mais volume e densidade, principalmente aos pontos focais mais frequentes: as retratações do céu e das bandeiras dos times. A exposição trará ainda outras obras de Therezinha sobre as belezas naturais de Campo Grande, bem como telas do artista convidado, Leonardo Autuori.

 

A Exposição Melhores Momentos, de Therezinha Mandetta Trad, ocorre na Art Galeria Mara Dolzan: Rua Teldo Kasper, 180 – Bairro Chácara Cachoeira, . A abertura será no dia 10 de novembro, a partir das 20h e as obras serão expostas ao público de 11 a 19 de novembro, de segunda a sexta-feira, das 9h às 18h e aos sábados, das 9h às 12h. Maiores informações com a marchand Mara Dolzan, pelo fone 67 3326-8679, e-mail [email protected] ou no site: www.galeriamaradolzan.com.br.