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Evasão de acadêmicos indígenas chega a 40% no ensino superior

A UEMS (Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul) possui, atualmente, um índice de evasão escolar indígena em torno de 40%. O dado faz parte de um levantamento preliminar da instituição apresentado na tarde desta sexta-feira (11), durante a audiência pública: Educação Superior Indígena em MS. No encontro desta sexta-feira, cerca de 200 universitários índios […]

Arquivo Publicado em 12/11/2011, às 16h51

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A UEMS (Universidade Estadual de Mato
Grosso do Sul) possui, atualmente, um índice de evasão escolar indígena em
torno de 40%. O dado faz parte de um levantamento preliminar da instituição
apresentado na tarde desta sexta-feira (11), durante a audiência pública:
Educação Superior Indígena em MS.

No encontro desta sexta-feira, cerca
de 200 universitários índios participaram da audiência e cobraram do poder público
estadual e federal políticas públicas que garantam a permanência do estudante
indígena na universidade.

Entre os problemas apresentados pelos
alunos está a ausência de programas de apoio institucional voltados para os
acadêmicos das diversas etnias do país, diante da carência financeira das
famílias indígenas.

A mãe da enfermeira Rose Mariano, da
etnia Terena, emocionou a todos ao relatar as angustias pelas quais passou ao
acompanhar as dificuldades da filha, que concluiu o ensino superior há dois
anos. “Ela passava o dia todo com uma bala. Tudo isso para conseguir concluir o
ensino superior”, disse. “Muitas vezes eu comia, sem saber se ela estava
comendo”, recordou.

Prestes a concluir o curso de
ciências biológicas na UEMS, Leosmar Antônio falou das dificuldades enfrentadas
diariamente. “Nós que ousamos permanecer nas universidades recorremos a todo
tipo de subterfúgio para contornar as situações. Alugamos pequenos quartos em
fundos de bares, locais inadequados. Dormimos no chão, tendo dificuldade com vestuário
e, principalmente, alimentação”, contou.

O estudante lembrou das perspectivas
depositadas pelos povos indígenas  na educação. “A graduação tem sido a
ferramenta que nós encontramos  para transformar a realidade das
comunidades indígenas”, enfatizou. “Queremos voltar para nossas comunidades e
atuar com o conhecimento científico adquirido na universidade”, completa Rose
Mariano.

Mato Grosso do Sul tem
aproximadamente 700 acadêmicos nas universidades públicas e particulares do
Estado. Não há ainda um levantamento global de percentual de universitários
índios que abandonam o curso superior, no entanto, o que se sabe é que boa
parte dos indígenas desiste do curso superior bem antes da concluí-lo.

Com base nos relatos e sugestões da
audiência será elaborado um relatório e o texto será encaminhado as autoridades
competentes, dente elas a secretaria de Educação Superior do MEC (Ministério da
Educação), CNPq (Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico)
e FUNAI (Fundação Nacional do Índio).

Jornal Midiamax