Alunos realizam manifestações desde quinta-feira contra a presença da PM no campus. Apoiadores da polícia se manifestaram ontem

Os estudantes da USP deixam a FFLCH (Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas), mas invadem a reitoria da instituição.

Ele ocupam o campus desde a última quinta-feira, quando um grupo de cem alunos se revoltou contra a prisão de três jovens que portavam maconha.

Houve confronto com PM e os universitários resolveram acampar no prédio da faculdade como forma de protesto. Ontem, os manifestantes se reuniram em assembleia e decidiram ficar no prédio por tempo indeterminado.

Os estudantes têm realizado protestos constantes contra o policiamento na USP, que foi reforçado depois do assassinato de um jovem, em maio.

Contra a PM
Segundo os universitários, os policiais são truculentos no dia-a-dia e abordam as pessoas a qualquer hora, intimidando os frequentadores do campus.

O tenente-coronel José Luiz de Souza, responsável pelo policiamento na área, afirma que a ação da PM vai continuar do mesmo jeito.

A favor da PM
Um outro grupo de estudantes fizeram ontem uma manifestação, convocada por meio das redes sociais, para apoiar a presença da Polícia Militar na Cidade Universitária, localizada na zona oeste da capital paulista. A manifestação ocorreu na Praça do Relógio e reuniu cerca de 200 alunos. As informações são da Agência Brasil.

Na convocação para a manifestação de hoje, os organizadores declaram que “a presença da Polícia Militar é necessária” por causa da falta de preparo da Guarda Universitária para exercer o trabalho de segurança do local.

A estudante de letras Marina Grilli, uma das organizadoras da manifestação, admite que a Polícia Militar não tem condições de resolver todos os problemas, mas reconhece que ela é a melhor solução, a curto prazo, para a universidade. “A PM é o que temos agora. E diminuiu em muito, sim, a criminalidade no campus. Então não faz sentido algum pedir a sua retirada”, disse.

“Antes da morte do aluno da FEA (Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade) tínhamos menos polícia e eu me sentia menos seguro. Agora temos visto rondas, e está bem mais tranquilo andar (aqui)”, disse Henrique Ianelli Gonçalves Luiz, estudante de engenharia elétrica, um dos participantes da manifestação.

Renan de Oliveira, diretor do DCE (Diretório Central dos Estudantes), declarou que o órgão defende o aprofundamento do debate entre os estudantes sobre o tema. “Não achamos que existam verdades absolutas, nem que a polícia seja a única saída, nem que a ausência da polícia, agora, vá resolver o problema que vimos ao longo do ano de insegurança e violência. O que não queremos é que estudantes se aproveitem desse clima de insegurança para fazer política em cima disso”, disse.