O Brasil é o quarto maior produtor de energia hidrelétrica do mundo e, mesmo assim, usa apenas um terço do seu potencial. Para os participantes da audiência pública que ocorre nesta sexta-feira na usina de Itaipu, em Foz do Iguaçu (PR), a presença marcante da hidroeletricidade na matriz energética brasileira deve continuar a ser adotada, mesmo com a chegada de fontes alternativas de energia. Essa posição foi defendida no encontro principalmente pelo diretor geral do Instituto Alberto Luiz Coimbra de Pós-Graduação e Pesquisa de Engenharia, Luiz Pinguelli Rosa.

Promovida pela Comissão Mista Permanente sobre Mudanças Climáticas (CMMC), a audiência teve pela manhã o painel “Energia e Mudanças Climáticas”. Nele, Pinguelli afirmou que a energia hidrelétrica com controle ambiental é muito viável porque é uma das que causa menos danos ao planeta, não provoca tanto o efeito estufa e, ao mesmo tempo, suas fontes são renováveis.

O pesquisador comparou a produção de energia elétrica brasileira com o resto do mundo. De acordo com ele, 45% da energia que o Brasil produz vem de fontes renováveis. No mundo, esse número é de apenas 10%, sendo que nos países desenvolvidos esse potencial é de 5%. Isso ocorre porque o potencial hidrelétrico deles já está quase totalmente esgotado, segundo Pinguelli.

– A França já tem 90% da sua capacidade de produzir instalada, e a Alemanha, 80%. O Brasil usou apenas um terço da sua capacidade – comparou.

No mesmo painel, Amilcar Guerreiro, diretor da Empresa de Pesquisa Energética, informou que 75% da energia elétrica contratada pelo governo para os próximos cinco anos são de fontes renováveis, sendo quase a metade proveniente das hidrelétricas. De acordo com o governo brasileiro, há 140 usinas hidrelétricas em operação no Brasil, com perspectiva de aumento do uso dessa fonte.

Agricultura

Já no painel “Agricultura e mudanças climáticas”, conduzido durante a tarde, o diretor geral do Centro de Pesquisa em Energia Elétrica (Ceple), Alberto Melo, comparou os benefícios da energia hidrelétrica aos das fontes alternativas, como a solar ou a eólica. Para ele, a primeira é a mais indicada por trazer mais desenvolvimento para a região onde está instalada a usina e por ser considerada mais barata que as outras duas.

O chefe da Embrapa Meio Ambiente, Celso Manzatto, acrescentou que os três grandes desafios do setor agropecuário para se adaptar às mudanças climáticas atuais são os efeitos dos desmatamentos, dos fertilizantes e da poluição produzida pelo próprio gado nas pastagens.

Entre os parlamentares da comissão mista que conduziram os debates estavam os senadores Aloysio Nunes (PSDB-SP) e Sérgio Souza (PMDB-PR).