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Engenharia da UFPR avalia dragagem do Passo do Jacaré

Sete engenheiros do Instituto Tecnológico de Transportes e Infraestrutura (ITTI) – vinculado à Universidade Federal do Paraná (UFPR) – iniciam no sábado, 29 de janeiro, análises técnicas para verificar a possibilidade de dragagem do Passo do Jacaré, no rio Paraguai, nas imediações da ponte ferroviária Eurico Gaspar Dutra, de Porto Esperança, em Corumbá, distante cerca […]

Arquivo Publicado em 26/01/2011, às 12h48

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Sete engenheiros do Instituto Tecnológico de Transportes e Infraestrutura (ITTI) – vinculado à Universidade Federal do Paraná (UFPR) – iniciam no sábado, 29 de janeiro, análises técnicas para verificar a possibilidade de dragagem do Passo do Jacaré, no rio Paraguai, nas imediações da ponte ferroviária Eurico Gaspar Dutra, de Porto Esperança, em Corumbá, distante cerca de 70 quilômetros da área urbana do município. Os trabalhos vão até 07 de fevereiro.

O coordenador do Relatório de Controle Ambiental (RCA), engenheiro civil Eduardo Ratton, que também é professor da UFPR, explicou a este Diário que os serviços foram contratados pelo Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) e tiveram início em outubro do ano passado. A expectativa é concluir os estudos até o início de abril, quando o DNIT repassará o levantamento para avaliação do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama).

De acordo com o coordenador do RCA, a dragagem do Passo do Jacaré tem o objetivo de aumentar a profundidade do canal de navegação, garantindo o tráfego seguro de embarcações durante todo o ano. O canal tem profundidade de 2,50 metros e o estudo prevê dragar 50 centímetros para que a profundidade chegue a 3 metros. O canal tem três quilômetros de extensão.

Ao longo da semana de trabalho na região de Porto Esperança, os engenheiros do ITTI vão avaliar possíveis impactos que a dragagem do canal pode trazer para o ecossistema. “Se houver algum impacto ambiental a dragagem não será recomendada”, afirmou Ratton.

O engenheiro disse que o estudo avalia, por exemplo, se haverá algum tipo de impacto como instabilidade nas margens; depósito de sedimentos no leito do rio e assoreamento. Eduardo argumentou que o Instituto Tecnológico está promovendo um amplo levantamento ambiental da região que inclui estudos da flora; fauna; regime das chuvas; do ciclo das águas no Pantanal; sócio-econômico e arqueológico. “Tudo isso para assegurarmos da possibilidade de impactos”, esclareceu.

A Hidrovia Paraguai-Paraná estende-se por 3.442 km, através da América do Sul, desde a cidade de Cáceres, no estado do Mato Grosso, no Brasil, até Nova Palmira, no Uruguai. Abrange cinco países: Brasil, Bolívia, Paraguai, Argentina e Uruguai.

Barcaças encontram dificuldades para cruzar o canal

A navegação de barcaças, em sua maioria transportando minério, hoje fica prejudicada naquela região. Para transpor a ponte e o próprio canal é necessário o desmembramento das embarcações, o que aumenta o tempo de viagem e os custos.

Com a dragagem do Passo do Jacaré, esse tempo de viagem do comboio seria reduzido refletindo diretamente na diminuição do custo de transporte. A dragagem possibilitará o aumento da fluidez do tráfego, na medida em que não haverá a necessidade de desmembramento das embarcações. Com isso se ganharia dois dias no tempo de viagem.

Para transpor o Passo do Jacaré, na época de águas altas, de março a outubro, os comboios utilizam o canal que passa entre a margem esquerda do rio Paraguai e a Ilha da Figueirinha. Em dezembro, quando o rio já está com seu nível bastante reduzido, o canal da Ilha da Figueirinha não é mais navegável devido a um trecho crítico no começo da ilha. As barcaças são obrigadas a passar pelo canal oficial, localizado próximo à margem direita do rio estendendo-se até as proximidades da Ilha do Jacaré, o que aumenta a dificuldade dos comboios se alinharem perpendicularmente à ponte ferroviária.

Atualmente, em decorrência da pouca profundidade em alguns trechos do canal de navegação, os comboios não trafegam em épocas de águas baixas, entre novembro e fevereiro.

Após a intervenção, o novo canal de navegação deve contar com cerca 4.200 metros de comprimento, com largura aproximada de 110 metros e 3,20m de profundidade.

Jornal Midiamax