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Doença que vitimou Celina é silenciosa, sem sintomas e mortal na maioria dos casos

Especialista afirma que pacientes afetados pelo aneurisma da aorta geralmente morrem a caminho do hospital. Quando chegam a ser operados, somente três de 10 sobrevivem.

Arquivo Publicado em 28/02/2011, às 15h14

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Especialista afirma que pacientes afetados pelo aneurisma da aorta geralmente morrem a caminho do hospital. Quando chegam a ser operados, somente três de 10 sobrevivem.

O AAA (Aneurisma da Aorta Abdominal), doença cardiovascular que matou nesta manhã, no hospital Sírio-Libanês, em São Paulo, a conselheira do TCE (Tribunal de Contas Estadual), Celina Jallad, geralmente ataca pessoas que nem sequer sabiam da existência da complicação e, quando afetadas morrem antes mesmo do socorro médico, ensina o titular da Sociedade Brasileira de Angiologia e Cirurgia Vascular, o doutor Vasco Lauria da Fonseca Filho.

A aorta é a maior e mais importante artéria do corpo. A corrente sai do coração, passa pela barriga e, dali se se divide em duas para conduzir o sangue até os membros inferiores. O AAA é uma dilatação da artéria, o mesmo que dizer que se formou uma bolha na aorta.

Celina Jallad, também dona de quatro mandatos de deputada estadual, passou mal na madrugada de domingo, foi levada numa viatura do Corpo de Bombeiros para o Proncor, em Campo Grande e, de lá, seguiu reto para o aeroporto, de onde viajou num avião fretado para o hospital Sírio-Libanês, em São Paulo.

Ela chegou à capital paulista por volta das 14 horas e, quatro horas depois, foi submetida a uma cirurgia, único meio de combater a conhecida AAA. Ela morreu por volta das 5 horas da manhã desta segunda-feira. Seu corpo será trazido à tarde para Campo Grande e o velório acontecerá no saguão da Assembleia Legislativa a partir das 19 horas.

Fonseca Filho, em artigo sobre a doença publicada no http://emedix.uol.com.br/doe/ang010_1g_aneurismaorta.php#texto1, dá uma ideia do risco que representa o AAA, note: “Quando a aneurisma rompe, muitos dos pacientes morrem antes de chegar ao hospital e, dos que chegam ao hospital e conseguem ser operados, somente cerca de 30% sobrevivem à cirurgia”.

De acordo com o especialista, os aneurismas de aorta abdominal “evoluem, na maioria das vezes, silenciosamente, pois não causam qualquer sintoma, e são descobertos durante um exame clínico ou estudo abdominal por métodos não invasivos como raio , ultra-som etc”.

“Normalmente os sintomas aparecem quando o aneurisma fica muito grande, causando a “sensação de coração batendo na barriga”, ou quando comprimem e corroem estruturas vizinhas, causando “dor e desconforto abdominal”, escreveu o doutor.

Os fatores da doença, segundo o doutor, tem a ver com o tabagismo, hipertensão arterial e a doença obstrutiva crônica pulmonar. Celina lutava contra o câncer de mama desde 2007.

Congestão

Já o clínico geral Ronaldo Souza Costa, que medica em Campo Grande, o AAA passa tão despercebido que o paciente acha a dor aguda na barriga, um dos sintomas da doença, tem relação com alguma refeição, ou algo parecido. “Já ouviu dizer que alguém morreu de congestão, na realidade essa pessoa morreu de AAA”.

“Recordo-me que assistia uma palestra sobre crise hepertensiva proferida por um professor em meu período de faculdade. Esse professor saiu do evento e seguiu para Belo Horizonte (MG) e lá morreu de AAA. Garanto que ele não sabia que a doença o ameaçava”, disse o médico Ronaldo Costa.

Costa disse ainda que a doença que matou Celina Jallad pode ser diagnosticada a partir da variação da pressão sanguínea. “Tem gente que acha que a pressão normal é de 10×7 e lá num dia a medida sobe para 13×8, Por razão particular esse paciente desconfia que a variação possa ter sido provocada por outra razão. Mas pode ser um sintoma do AAA”, disse o médico.

Frequência

Note trecho do artigo do especialista Vasco Lauria da Fonseca Filho, quando ele comenta a “incidência e prevalência do AAA na população: “O aneurisma de aorta abdominal ocorre com mais freqüência em pacientes acima dos 55 anos, predominando no sexo masculino (quatro vezes mais do que no sexo feminino). Acredita-se que 2 a 5% dos homens com mais de 60 anos, sejam portadores de aneurisma de aorta. Por esse aspecto, vale salientar a importância de um exame clínico cuidadoso do abdome em pacientes acima de 55 anos, assim como realização de ultra-som abdominal, porque em estudos de rastreamento para detectar o aneurisma da aorta abdominal, o mesmo foi diagnosticado em grande número de pessoas que não sabiam ser portadores dessa doença”.

Jornal Midiamax