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Corumbá: mais de 300 famílias vivem em área de risco

O desabamento de um muro de contenção causando a morte de uma pessoa, nesta terça-feira, 08 de fevereiro, trouxe à tona o risco a que estão submetidos no cotidiano os moradores do bairro Cervejaria. Levantamento feito pela Prefeitura de Corumbá cadastrou 335 famílias vivendo em área de perigo iminente de desabamento naquele bairro. A morte […]

Arquivo Publicado em 10/02/2011, às 11h03

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O desabamento de um muro de contenção causando a morte de uma pessoa, nesta terça-feira, 08 de fevereiro, trouxe à tona o risco a que estão submetidos no cotidiano os moradores do bairro Cervejaria. Levantamento feito pela Prefeitura de Corumbá cadastrou 335 famílias vivendo em área de perigo iminente de desabamento naquele bairro.

A morte de Miguel Luiz do Nascimento, de 62 anos, que teve a casa atingida por blocos de pedra do muro que desabou na alameda Boa Esperança, assustou os moradores do bairro. Muitos deles, cadastrados no Programa Casa Nova, uma parceria do Município e o PAC – Programa de Aceleração do Crescimento, só aguardam o momento da transferência paras as unidades habitacionais construídas na parte alta da cidade pela da Prefeitura de Corumbá.

Moradora na mesma alameda Boa Esperança, Lia Mara de Oliveira Rocha está preocupada com o que pode acontecer. Ela disse a este Diário que está cadastrada para receber uma das casas do PAC e afirmou torcer para que a remoção aconteça logo. “O quanto mais rápido melhor; sabemos que as casas já estão prontas, mas ainda ninguém falou nada sobre a transferência da gente”, argumentou.

Ela contou que já teve uma parte de sua casa que desmoronou por completo – inclusive mostrou a área onde estava construída o imóvel. Com o desmoronamento Lia teve de mudar para imóvel – de familiares – exatamente ao lado do antigo. A casa, onde vivem três pessoas já apresenta rachaduras. Situação que confessadamente ela afirmou que lhe causa temor.

Outra que vive preocupada com o que pode acontecer é Alexsandra Almeida. A casa onde ela mora, juntamente com o marido e os dois filhos, fica ao lado de um muro. Localizado numa baixada, o imóvel recebe a água que desce da morraria em tempos de chuva. “Escorre tudo aqui pra casa, pra não entrar muita água a gente faz uns desvios no terreno”, contou. Ela informou ainda que rachaduras são comuns em sua casa.

As inúmeras vielas que se ramificam pela alameda Boa Esperança revelam um perigo a cada curva. Em cada beira de encosta, um imóvel sujeito ao risco de desabamento. O próprio presidente do bairro Cervejaria, Everaldino Luiz de Campos, mostrou alguns pontos perigosos. Um deles chamou atenção e trouxe preocupação com a segurança de quem precisa passar pelo local.

Uma estreita ponte de madeira improvisada e sem qualquer segurança é o único e arriscado caminho utilizado por crianças e adultos. A pontezinha, com pedaços soltos de tábua, sustentada por tocos de árvores fica no alto de um morro – numa altura considerável. É o único acesso para a casa que fica depois do muro. Do alto se vê o quintal de algumas casas.

Município vai buscar apoio no Governo Federal para Novo Bairro

O projeto Novo Bairro está sendo reeditado pela Prefeitura de Corumbá para gestão do próprio Executivo Municipal, informou a este Diário o secretário Municipal de Infraestrutura, Habitação e Serviços Urbanos, Ricardo Campos Ametlla. A iniciativa, em parceria com o Governo do Estado, por meio da Agência Estadual de Habitação, começou em 2005 e contava com a captação de recursos junto ao Fundo Financeiro para o Desenvolvimento da Bacia do Prata (Fonplata), no valor de US$ 12,5 milhões, para urbanização dos bairros Cervejaria, Beira Rio e Generoso.

O projeto seguiu todos os trâmites legais. Teve até publicação de uma resolução no Diário Oficial do Estado, criando o projeto de desenvolvimento ‘Novo Bairro’. A contratação do financiamento foi aprovado pelo Governo Federal e pelo Fonplata, mas, com a mudança de Governo, não houve continuidade por parte da Agehab.

A retomada da ação chegou a ser reafirmada pelo Governo do Estado no dia 25 junho de 2007, durante encontro dos secretários Carlos Marum, de Habitação, e Edson Girotto, de Obras Públicas, hoje deputado federal, com o prefeito Ruiter. Na época, os dois anunciaram oficialmente que o Estado daria sequência, bem como que garantiria a contrapartida exigida pelo Fonplata, o que acabou não ocorrendo.

Ametlla explicou que Corumbá foi selecionada pelo Ministério das Cidades para o PAC 2 para a elaboração do projeto executivo, com recursos de R$ 550 mil, e com mais R$ 150 mil para elaborar o Plano Municipal de Contenção de Encostas. O total é de R$ 34 milhões. Com essa seleção, o Município vai buscar recursos junto ao Governo Federal para bancar o projeto do Novo Bairro.

O Novo Bairro permitiria melhorar as condições sanitárias, ambientais e de habitação da população urbana, especialmente a de baixa renda, em atendimento a estes bairros localizados na região ribeirinha do município. As obras iriam reduzir ainda os riscos de deslizamentos e tombamentos de escarpas, mediante ampliação e melhoria da infraestrutura e dos serviços urbanos básicos.

A proposta contemplaria o atendimento a 350 famílias com sistema de esgotamento sanitário e 50 com novas ligações domiciliares de água; construção de 2,5 mil metros de calçadas e 5 mil metros de cerca para implantação de espaços destinados à prática de atividades esportivas e de recreação, em uma área de 30 mil metros quadrados; implantação de 1,4 mil metros de galerias para captação e escoamento de águas pluviais do bairro Cervejaria; 6,4 mil metros quadrados de pavimentação asfáltica; 1,5 mil metros de extensão de contenção de encostas, além do plantio de 1,5 mil mudas de árvores para a recomposição vegetal de pelo menos 6 mil metros quadrados.

Jornal Midiamax