O caixão com o corpo de Heloísa Urt deixou a Casa de Cultura Luiz de Albuquerque no final da manhã de hoje, 24, pela entrada principal do prédio, carregado por funcionários da Fundação de Cultura do Pantanal de Corumbá, num momento de forte emoção. A banda Manoel Florêncio tocava o Hino a Corumbá, canção que ela fazia questão de inserir em vários eventos da cidade.

Um grande cortejo acompanhou o translado do corpo para , cidade vizinha onde ela nasceu. O velório continuou nas dependências da igreja Santuário de Nossa Senhora dos Remédios até às 16 horas, quando uma missa foi celebrada e, logo após, o sepultamento no cemitério ladarense.

Durante o momento religioso, o espaço ficou pequeno para todos que foram dar adeus à Helô. Após a celebração, que foi marcada por uma apresentação do Coral Cidade Branca, que cantou o Hino à Corumbá, o filho mais velho de Heloísa, Luiz Eduardo agradeceu a todos pela presença e destacou as ações da mãe na vida política e cultural. Os prefeitos de Corumbá, Ruiter Cunha de Oliveira, e de Ladário, José Antônio Assad e Faria, lembraram da companheira Helô.

O féretro saiu da igreja e seguiu até o cemitério com um grande número de pessoas e carros. Ao entrar no local de sepultamento, foi executado o Hino de Ladário. Antes de chegar ao jazigo, uma parada foi feita e as últimas homenagens prestadas. A ex-vereadora de Ladário, Evelyn Navarro, fez um discurso emocionado lembrando a garra e a generosidade de Helô e conclamou que todos os correligionários entoassem o grito do PT. Não houve tempo para o silêncio, pois na sequência, a ladainha de São João Batista começou a ecoar entre os presentes.

Ao depositar o caixão no jazigo, uma figura bastante conhecida da população de Corumbá e Ladário, que atende pelo apelido de “Sandália”, fez uma manifestação espontânea sobre Helô. Ela alternou seu discurso entre falas desconexas e de extrema lucidez: “Essas flores vão secar, mas o que Helô fez por mim, por nós vai ficar”, dizia.

Referência

A exemplo de Corumbá, o prefeito de Ladário, José Antonio Assad, decretou luto oficial de 3 dias no município. “Helô era uma referência na cultura da nossa região, um orgulho para nossa terra, como integrante de uma família que está há um século em Ladário, desde a chegada aqui de seus avós Jamil e Maria”, destacou o prefeito.

Desde cedo, como universitária, ainda no diretório acadêmico, Helô se notabilizou na luta pelas liberdades democráticas. “Para todos nós, uma perda irreparável, uma lacuna muito difícil de ser preenchida. Nos últimos tempos, se empenhou pela consolidação do turismo religioso em Corumbá e Ladário, tarefa que se dedicou com afinco em função de sua religiosidade e pelo amor às coisas da nossa terra”, lembrou o prefeito.

O deputado estadual Paulo Duarte (PT) veio a Corumbá se despedir de Heloísa Urt. Ele lembrou ao Diário as ações de Helô e o exemplo deixado por ela. “Helô representou muito para a cultura pantaneira. E o mínino que podemos fazer por ela é não deixar que essa chama que ela reacendeu se apague. Ela foi a responsável por resgatar a tradição que, hoje, voltou com força, assim como a valorização dos artistas locais. Sua característica maior era fazer tudo com amor, era uma pessoa extremamente generosa. Particularmente, ela foi uma das grandes incentivadoras da minha vida política desde o início”, declarou emocionado.

Em março, no Dia Internacional da Mulher, a Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul homenageou mulheres que se destacaram em suas atividades no Estado. O deputado Paulo Duarte homenageou Heloísa Urt com o troféu Celina Jallad.

O ex-governador Zeca do PT também manifestou profunda tristeza pela morte da companheira de partido. “Helô deixa para nós uma grande história de construção no movimento cultural e na luta feminista por uma sociedade mais justa e igualitária. Helô, que foi fundadora do PT de Corumbá, candidata à vereadora e ex-presidenta do Diretório Municipal do PT de Corumbá, deixará em nós a saudade e o seu legado”, enfatizou Zeca, recordando uma das celebres frases do revolucionário Che Guevara: “Um companheiro de luta nunca morre, apenas descansa”.

Em nota, o senador Delcídio do Amaral também se manifestou. “É uma perda irreparável para o PT, Corumbá e todo o Mato Grosso do Sul. Companheira histórica e uma das maiores lideranças do Partido dos Trabalhadores, Helô era uma mulher digna, inteligente, profunda conhecedora da nossa história e da nossa gente, uma referencia para todos nós que amamos Corumbá e o Pantanal. Sem dúvida alguma vai fazer muita falta. Rezo para que Deus ilumine seu caminho e conforte seus amigos e familiares”, afirmou o senador,

O prefeito de Corumbá, Ruiter Cunha de Oliveira, disse que Helô era uma referência para aqueles que buscam o melhor para a cidade. “A Helô deixa um exemplo pra nós políticos; deixa um exemplo de personalidade que se preocupava com a cultura e história da nossa região. A vida dela, essa ‘loucurada' dela foi um exemplo. Sabia dizer as coisas com simplicidade; com as ações dela sempre lutando pelo melhor para Corumbá, ela sempre fez questão de dizer isso”, afirmou.