O primeiro-ministro da Itália, Silvio Berlusconi, enfrenta nesta terça-feira (8) no Parlamento uma votação-chave sobre o Orçamento. A votação ocorre em meio ao temor de que o país possa ser a próxima vítima da crise das dívidas dos países na zona do euro. A decisão indicará se Berlusconi, que já sobreviveu a mais de 50 votos de confiança, mantém o apoio da maioria do Parlamento.

Ontem (7) Berlusconi negou que pretenda renunciar. Analistas italianos avaliam que o governo está enfraquecido para impor os cortes de gastos necessários para conter o déficit público e o aumento da dívida. Apesar de ter um déficit público relativamente baixo, de 3,7% do PIB, a Itália causa preocupações entre os investidores, com uma combinação de baixo índice de crescimento e uma dívida de 1,9 trilhão de euros.

As preocupações com a Itália dominaram o debate substituindo as discussões sobre a Grécia, onde líderes políticos locais ainda discutem a formação de um novo governo de coalizão e a escolha de um novo primeiro-ministro para implementar medidas de austeridade em troca de ajuda internacional.

Na semana passada, sob pressão, o governo italiano anunciou que se submeterá a inspeções trimestrais do FMI (Fundo Monetário Internacional) para verificar o cumprimento de suas políticas para contenção da dívida. Ontem (7), as principais bolsas europeias subiram em meio à expectativa de uma saída de Berlusconi, mas voltaram para o vermelho após ele negar a renúncia em sua página no Facebook.

Os mercados forçam a Itália a pagar taxas de juros altas, que podem eventualmente levar o país à bancarrota, o que significa que a pressão sobre Berlusconi para deixar o cargo é alta. O Comissário da União Europeia para Assuntos Econômicos, Olli Rehn, disse que espera respostas da Itália até o fim da semana.

“É essencial agora que a Itália cumpra suas metas fiscais, assegure a sua implementação e intensifique as reformas estruturais que podem promover o crescimento”, disse Rehn. Hoje os ministros das Finanças de todos os 27 países da União Europeia se reunirão para discutir o problema.

No fim de outubro, líderes europeus haviam concordado em princípio a elevar o montante do fundo dos atuais 440 bilhões de euros para 1 trilhão de euros para ajudar a conter os problemas com as dívidas dos países em dificuldades, incluindo Itália e Espanha.

 
Com informações da BBC Brasil