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O inferno astral do atacante sul-mato-grossense Keirrison

Há exatamente um ano, Keirrison de Souza Carneiro era notícia pela incrível média de gols em seus primeiros jogos pelo Palmeiras. Ele havia acabado de ser contratado do Coritiba como o grande presente da Traffic para o Verdão arrebentar na Libertadores. O começo arrasador foi minguando com o tempo, os gols foram rareando, e após […]

Arquivo Publicado em 30/01/2010, às 21h28

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Há exatamente um ano, Keirrison de Souza Carneiro era notícia pela incrível média de gols em seus primeiros jogos pelo Palmeiras. Ele havia acabado de ser contratado do Coritiba como o grande presente da Traffic para o Verdão arrebentar na Libertadores. O começo arrasador foi minguando com o tempo, os gols foram rareando, e após a eliminação do time no torneio sul-americano, o K9 foi apontado pela torcida e até por colegas de equipe como o grande vilão. Ele era descrito como um “jogador sem raça, sem vontade, que tira o pé de dividida”.

Diante disso, não havia mais clima para Keirrison continuar no Palmeiras, e uma proposta do super Barcelona, de 14 milhões de euros, caiu do céu. K9 se foi. E por achar que ele ainda não estava maduro, o Barça o emprestou para o Benfica. Era vestir a camisa dos “Encarnados”, fazer “golos” e voltar com moral ao Camp Nou.

Mas a passagem de Keirrison pelo Benfica se transformou no mico do ano no futebol português. Encostado, ele se vê obrigado a encontrar um novo clube nas próximas horas, antes do fechamento da janela de transferências, se não quiser passar mais seis meses vendo futebol só do banco de reservas. Ou pior: das tribunas.

Até agora, Keirrison participou de apenas cinco jogos, só um como titular, totalizando 199 minutos em campo. Nenhum golzinho. Nos últimos dias, o técnico Jorge Jesus determinou que ele treinasse longe do grupo. Está tão triste que poderia “contaminar” os outros jogadores. “Ele está arrasado”, disse Marcos Malaquias, empresário de Keirrison, ao Yahoo! Esportes.

A velha ladainha de brasileiros que não se adaptaram à Europa é rechaçada por Malaquias. “Keirrison adorou a cidade, o país, a comida, a estrutura do clube, tudo. Mora sozinho, mas a família vem sempre visitá-lo. O problema é que o técnico não deu oportunidade para ele”, diz o empresário. “O Cardozo e o Saviola não param de fazer gols. Como o Keirrison entraria nesse time?”

Não é bem assim. Todo mundo sabe que uma equipe de futebol “não é feita só por 11 titulares”, como diz o clichê da bola. E Jorge Jesus foi atrás de novos reservas para o ataque. Veio buscar justamente no Brasil – levou Éder Luís, do Atlético Mineiro, e Alan Kardec, do Vasco. Deixou claro, assim, que não suportava mais ver pela frente Keirrison e seu estilo “me passa a bola que eu chuto para o gol.” O K9 parece não ter entendido que, no futebol moderno, se você não busca o jogo, você não participa dele.

“Estamos procurando ver o que é melhor para o Keirrison. Há alguns clubes interessados. Mas é certo que para o Brasil ele não volta”, disse Malaquias.

Na pior das hipóteses, Keirrison passará os próximos seis meses como “turista” em Lisboa, até terminar seu contrato de empréstimo com o Benfica. Na melhor, achará um clube e dará a volta por cima com gols. Muito pouco para quem chegou a sonhar com uma participação na Copa do Mundo da África do Sul. “Ele é um bom menino e tem qualidade. Vai saber como sair dessa”, disse Malaquias.

Jornal Midiamax