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Índios que procuram corpo de professor em Paranhos denunciam pistoleiros e pedem segurança

Cerca de cem índios estão isolados na área da Fazenda São Luiz e alegam que sofrem intimidação com capangas armados. Polícia Federal já foi acionada pelo Cimi, mas ainda não entrou no local.

Arquivo Publicado em 16/09/2010, às 19h30

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Cerca de cem índios estão isolados na área da Fazenda São Luiz e alegam que sofrem intimidação com capangas armados. Polícia Federal já foi acionada pelo Cimi, mas ainda não entrou no local.



Cerca de cem indígenas Guarani Kaiowá da comunidade Ypo´i continuam em busca do corpo do professor Rolindo Vera na Fazenda São Luiz, município de Paranhos, na fronteira com o Paraguai. Eles saíram da comunidade no dia 17 de Agosto e denunciam que estariam sofrendo intimidação e sendo impedidos de transitar no local por pistoleiros armados.



Eles estão sem comida e sem locomoção, vivendo sob ameaça de morte. No dia 25 de agosto, os indígenas fizeram contato com o CIMI (Conselho Indigenista Missionário) e com a FUNAI (Fundação Nacional do Ìndio), pedindo por socorro.



Segundo o conselheiro Egon Heck, do Cimi Regional de Mato Grosso do Sul, a Funai não tem mais condições de chegar no local e prestar atendimento aos indígenas. Ele diz que as ameaças são feitas por fazendeiros e deixam os servidores inseguros. Há informação de que haveria no local crianças que estão doentes devido às condições que enfrentam.



Como os índios afiram que continuam no lugar até encontrar o corpo do professor, a Polícia Federal já foi acionada e está na cidade. Mas os agentes ainda não teriam entrado na fazenda São Luis para fazer a segurança, segundo os indigenistas do Cimi.



A assessoria de imprensa da Polícia Federal, não confirma que foram enviados os policiais para fazer a segurança dos índios. Já a assessoria de imprensa da Funasa (Fundação Nacional da Saúde) disse que cerca de 30 indígenas invadiram a fazenda São Luis e que o local não tem acesso é uma área isolada e não tem segurança para os funcionários ir até ao local e prestar atendimento. “Estamos esperando que a PF chegue ao local e resolva a parte da segurança para que a gente possa prestar assistência. Quando eles estavam na área deles, sempre foi prestado atendimento a saúde”, garante.



A Funai, por sua vez, informou que já enviou alimentos para a sobrevivência dos índios. O órgão também alega que precisa de mais informações e segurança para ajudar.



Entenda o caso



Os professores que causaram a mobilização são os primos Rolindo Vera e Genivaldo Cruz, que foram mortos após terem sido expulsos da Fazenda São Luiz, em dia 31 de outubro de 2009. Eles cursavam licenciatura indígena na UFGD (Universidade Federal da Grande Dourados) e ficaram sumidos desde então. Somente o corpo do Genivaldo foi encontrado dentro de um rio em 7 de novembro e os indios suspeitam que o outro também tenha sido morto a tiros. Os principais suspeitos, segundo os indígenas, estão circulando livremente na região.



Os dois eram casados e pais de família. Eles sumiram após confronto com seguranças particulares na retomada da Fazenda São Luiz, que fica ao lado da Fazenda Triunfo, a 50 quilômetros da aldeia Pirajuí. Eram 18 índios contra seguranças particulares armados. Feridos por tiros de balas de borracha, os índios que conseguiram fugir não souberam precisar o número de homens que os expulsaram da área.



Outro lado




O proprietário da Fazenda São Luiz, Fermino Aurélio Escobar, de 77 anos, disse quecerca de 30 índios invadiram 30 hectares da fazenda no dia 19 de agosto. “Eles estão com armas brancas e não deixa as pessoas passar pelo local. Todas as pessoas têm que buscar os seus direitos, mas sem prejudicar os outros. Sou um produtor rural e não tenho nada contra o índio. Eles estão causando danos na reserva estão destruindo as matas ciliares e causando prejuízo.



No dia 20 de Agosto fui até a Justiça de Ponta Porã/MS e pedi a reintegração de posse. Esta fazenda existe há mais de 120 anos e estamos na 6ª geração. Nunca contratamos vigilantes para atacar os índios. A Polícia Federal esteve aqui e foi constatado que não temos nenhum vigia pelo local”, finaliza.


Jornal Midiamax