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Frigorífico e sindicato não entram em acordo sobre demissões no JBS/Bertin

Empresa contesta número de demissões apresentado por líderes sindicais. Ministério Público do Trabalho tenta mediar a questão.

Arquivo Publicado em 20/09/2010, às 12h51

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Empresa contesta número de demissões apresentado por líderes sindicais. Ministério Público do Trabalho tenta mediar a questão.

O frigorífico JBS/Bertin contestou o número de demissões de funcionários da unidade 2 em Campo Grande, apresentado pelo Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias de Carnes e Derivados. Rubens Bernardes, gerente de Recursos Humanos, afirma que 52 pessoas foram demitidas em setembro, diferentemente dos 180 alegados pelos dirigentes sindicais.


As informações foram apresentadas ao procurador do trabalho, Hiran Sebastião Meneghelli Filho, durante audiência de mediação nesta segunda-feira (20). O Ministério Público do Trabalho (MPT) chamou ambas as partes para averiguar denúncias feitas pelo sindicato, de que as demissões no frigorífico foram motivadas pelo indicativo de greve apresentado pelos trabalhadores em assembleia no dia 24 de agosto.


Os líderes sindicais argumentaram que a empresa não honrou o compromisso de elaborar estudos para conceder diversos benefícios aos trabalhadores, como plano de saúde, fim do trabalho aos sábados e plano de participação nos lucros. O acordo coletivo teria sido firmado em abril deste ano, mas como não houve propostas por parte do frigorífico, os funcionários aprovaram o início da greve para o dia 13 de setembro. Três dias antes, segundo o sindicato, começaram as demissões em uma suposta represália.


O vice-presidente do sindicato Vilson Gimenes, que compareceu à reunião, quer que o JBS/Bertin reintegre os funcionários demitidos e volte a discutir a concessão dos benefícios.


Em audiência, o representante da empresa negou as acusações e disse que as demissões foram necessárias por causa da falta de produto disponível para abate. De acordo com Bernardes, a planta da unidade 2 do JBS/Bertin tem capacidade instalada para 2 mil abates em dois turnos por dia, mas atualmente está trabalhando com uma média de 1,3 mil abates diários. O longo período de estiagem teria provocado a falta de gado no pasto.


Bernardes disse ainda que o custo para a empresa manter capacidade ociosa é muito alto, e que nos últimos dois meses foram concedidas férias a 740 trabalhadores na tentativa de equilibrar a situação.


O procurador sugeriu à empresa que suspendesse temporariamente os contratos de trabalho – medida prevista na CLT – para amenizar o problema com os trabalhadores e reduzir custos. Meneghelli Filho pediu às partes que apresentassem documentos e concedeu cinco dias de prazo. As denúncias do sindicato ainda não estão comprovadas pelo MPT.

Jornal Midiamax