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Ex-presidente da OAB: Jogo do bicho banca Jerson, mas MPE é “surdo, cego e mudo”

Marcelo Barbosa Martins apontou relacionamentos suspeitos e disse em pronunciamento que “presidentes do TJ” passam finais de semana em pesqueiro do deputado que preside o Legislativo sul-mato-grossense e é bancado pelo jogo do bicho.

Arquivo Publicado em 27/10/2010, às 14h30

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Marcelo Barbosa Martins apontou relacionamentos suspeitos e disse em pronunciamento que “presidentes do TJ” passam finais de semana em pesqueiro do deputado que preside o Legislativo sul-mato-grossense e é bancado pelo jogo do bicho.

Em um discurso recheado de críticas contra políticos e autoridades, o ex-presidente da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil), seccional de Mato Grosso do Sul, Marcelo Barbosa Martins, disse que “há anos” o dinheiro arrecadado com o jogo do bicho banca “a eleição do presidente da Assembleia [Jerson Domingos, do PMDB]” e “tudo fica como se nada acontecesse”. Martins ainda citou a suposta ligação financeira entre o presidente da Assembleia e a atividade contraventora: “Ministério Público Eleitoral é surdo, cego e mudo”.

As estocadas de Marcelo Martins foram ouvidas no dia 22 de outubro, durante reunião do Conselho Seccional da entidade. O pronunciamento está publicado na página oficial da OAB/MS (confira o texto na íntegra).

Martins exaltou ainda as ações do Fórum MS pela Ética – criado logo após as declarações do deputado estadual Ary Rigo terem circulado na Internet e repercutido na imprensa nacional. O ex-presidente da Ordem é membro da Comissão Especial de acompanhamento das denúncias de corrupção que envolvem os três poderes e o Ministério Público Estadual.

Num vídeo divulgado no youtube, durante o período das eleições, o deputado estadual Ary Rigo, do PSDB, disse que dinheiro da Assembleia Legislativa era repartido entre o governador reeleito André Puccinelli, do PMDB, desembargadores do TJ-MS (Tribunal de Justiça) e o ex-chefe do Ministério Público Estadual, Miguel Vieira.

Retomando o pronunciamento de Martins: ele cita ainda que o “banqueiro da contravenção, sr Jamil Name, admirado nas altas rodas pela simpatia, dá festas em sua residência e lá recebe autoridades do executivo, deputados e desembargadores”.

Jamil Name e Jerson Domingos são cunhados. Name é casado com Tereza, irmã do presidente da Assembleia Legislativa.

O discurso de Marcelo Martins, filho do ex-prefeito de Campo Grande, Plínio Martins, já morto, e sobrinho do ex-governador Wilson Martins, um dos mais expressivos membros do PMDB, não erra ao afirmar que Name, o bicheiro, financia a campanha de Jerson Domingos.

Em 2006, por exemplo, quando Jerson Domingos se reelegeu deputado estadual, a campanha dele recebeu duas doações de Jamil Name que somaram R$ 160 mil, segundo o TSE (Tribunal Superior Eleitoral).

Ano passado, Jamil Name recebeu um dos maiores precatórios já pagos pela prefeitura de Campo Grande. Por determinação do Tribunal de Justiça, Name recebeu R$ 18 milhões em parcelas mensais de R$ 1,3 milhão. O negócio foi contestado.

Recebimento de precatório exige espera numa fila que dura anos. Name alegou que não tinha dinheiro para custear um tratamento médico nos Estados Unidos da América, daí encurtou a fila.

Ainda no discurso, Marcelo Martins atira uma séria suspeita que afeta membros da maioria corte estadual, note: “Presidentes do Tribunal de Justiça aceitam convite e passam finais de semana em pesqueiro do Presidente da Assembléia. Nesta intimidade entre as autoridades dos poderes, nesse clima de confusão entre o que é da seara pública e da privada, são decididas grandes questões, levando-se em conta tão somente interesses escusos”.


Marcelo não chega a comentar diretamente o envolvimento do desembargador Claudionor Abss Duarte, pai do presidente da Seccional MS da OAB, implicado nas denúncias, mas afirma que o parentesco não pode interferir no posicionamento da Ordem.


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