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Com enfermeiros da Santa Casa em greve, sindicato acusa poder público de omissão

Enquanto categoria da enfermagem aguarda por reajuste, pacientes da Santa Casa esperam por atendimento médico

Arquivo Publicado em 13/07/2010, às 12h42

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Enquanto categoria da enfermagem aguarda por reajuste, pacientes da Santa Casa esperam por atendimento médico

A presidente do Siems (Sindicato dos Trabalhadores em Enfermagem de Mato Grosso do Sul), Helena Delgado acusa os representantes do poder público de omissão no caso das negociações salariais da categoria que atende na Santa Casa de Campo Grande. Por falta de consenso, uma greve foi deflagrada há dois dias.


A Santa Casa de Campo Grande está sob intervenção desde 2005 e o processo vai até 2013, onde representantes da prefeitura de Campo Grande e do Governo do Estado tem o poder de negociação. Para a presidente do Siems, estes representantes deveriam ter se mobilizado para que as negociações salariais seguissem. “Desde o ano passado estamos pedindo aumento, mas parece que não há vontade para isto”.


Ainda segundo Helena Delgado, na quinta-feira passada (7 de julho) aconteceu uma reunião entre representantes da Santa Casa e da categoria de enfermagem , mas a diretoria não apresentou contra proposta para que os enfermeiros, técnicos e auxiliares de enfermagem voltem com 100% do efetivo ao trabalho. “Se não querem nos dar os 15% de reajuste que pedimos, esperamos então uma proposta intermediária”, diz a dirigente sindical.


Uma técnica de enfermagem, que prefere não se identificar, denuncia que chefes de setores que representam a direção da Santa Casa estariam pressionando para que suspendam a greve e voltem com atendimento normal. “Estão ameaçando dar punição para os grevistas, mas o que é de lei (manter 30% do efetivo em atividade) estamos mantendo. Se isto continuar, vamos denúncia-los por assédio moral”, diz Helena Delgado.


Hoje de manhã foi eleito um comando de greve composto por representantes de todos os setores da Santa Casa. A função será percorrer o hospital e verificar o número de profissionais trabalhando. Com nariz de palhaço, a categoria ditava a frase de ordem da paralisação “Enfermagem, respeito, dignidade e bom salário”.


Segundo o Siems, o salário de nível médio fica entre R$ 540 e R$ 750,00 e o de graduação em R$ 2 mil. A direção oferece um reajusto de 2%, mas a categoria pede 15%.


Atendimento – A equipe do Midiamax conversou com os pacientes sobre o atendimento, depois de deflagrada a greve. O motorista Antônio Xavier estava internado desde domingo à noite, por convênio particular. Ele foi transferido de Nova Andradina (cidade que fica 300km de Campo Grande) depois de sofrer acidente automobilístico. “Eu não sabia da greve, mas observei que, derrepente, o atendimento ficou meio lento. Estavam demorando uma média de duas a três horas para repor o soro”, revela.


Questionada sobre o comprometimento no atendimento que a greve estaria provocando, a presidente do Siems afirma que desde o ano passado foi solicitado que a diretoria aumentasse o quadro de funcionários. Segundo ela, atualmente não existem 80 enfermeiros quando o ideal seria 340; técnicos de enfermagem seriam necessários mais 300 para se somarem aos 550 efetivos existentes.


Ela diz ainda que em determinados setores que exigem mais atenção dos profissionais o atendimento está em 100% como o CTI. Outros, como urgência e emergência o atendimento está com 50% dos profissionais.

Jornal Midiamax