Geral

Caso Dudu: padrasto é condenado a 26 anos por assassinato de menino

Familiares do menino comemoram a sentença e agora se preparam para exercer o direito de sepultar os ossos carbonizados, que seriam da criança

Arquivo Publicado em 31/03/2010, às 19h52

None

Familiares do menino comemoram a sentença e agora se preparam para exercer o direito de sepultar os ossos carbonizados, que seriam da criança

Foi condenado a  26 anos e 30 dias de prisão o aposentado José Aparecido Bispo da Silva, preso em fevereiro do ano passado, acusado de matar no dia 22 de dezembro de 2007 o menino Luiz Eduardo Gonçalves, o Dudu, 10.

Familiares do menino comemoraram a sentença e agora se preparam para exercer o direito de sepultar os ossos carbonizados, que seriam da criança.

O julgamento durou cerca de nove horas. Silva, que está preso desde fevereiro no Instituto Penal Campo Grande, deverá continuar no regime fechado. Familiares dele estiveram no Fórum, mas não quiseram dar entrevista.

O júri

O júri foi composto por sete jurados, quatro mulheres e três homens.O ponto alto do julgamento foi o fato da promotoria mostrar a urna funerária com os restos de suposta ossada do menino ao júri, e também o fato da defesa colocar a perícia em xeque. O Tribunal do Júri esteve lotado durante toda a manhã Silva nega ter sido o mandante do crime.

Emoção

A urna funerária com os restos mortais, como fragmentos ósseos carbonizados, cortados em pelo menos 700 pedaços, que seriam do menino, foram mostrados aos jurados. O juiz Aluízio Pereira dos Santos não aceitou o pedido do promotor, de exibir a urna no plenário. O júri teve que sair do local para ver o que a promotoria chamou de ‘prova contundente da brutalidade do crime’. Para o promotor, o que pesou contra Silva foi o comportamento após o ocorrido.

Testemunhas disseram que ele pagou adolescentes, usuários de droga, para que queimassem os objetos com restos de sangue, logo no dia seguinte. E ainda, teria oferecido propina para outra pessoa que lhe ofereceu proteção. Uma amiga dele teria mentido à polícia, dizendo que estava com Silva na hora do crime.

O promotor defende condenação máxima de 43 anos de prisão por homicídio qualificado, por motivo torpe e pelo fato de não ter dado à vítima a oportunidade de defesa.

Em xeque

O advogado de defesa José Roberto Rosa pôs em xeque toda a acusação. Segundo ele, os ossos encontrados carbonizados podem ser de um animal, pois o local era conhecido como ‘cemitério de cachorros’. Ao júri, ele disse que Silva foi condenado pelo fato de ser ‘pedreiro, pobre e preto’.

José Roberto criticou, ainda, os pais, por deixarem o menino até tarde da noite na rua. “Será que as coisas são realmente o que parecem ser? Para mim, esse menino está desaparecido e pode aparecer a qualquer momento”.

O advogado falou muito sobre dúvidas. Segundo ele, um criminoso não envolveria tantas pessoas em um assassinato. No processo são ao menos nove pessoas envolvidas.

Comoção

A mãe da criança já dizia que confiava na Justiça e esperava nunca mais ver o ex-marido – José Aparecido Bispo da Silva, o acusado -, e que ele seja condenado. Foram oito anos de relacionamento e três anos de separação. Um envolvimento emocional cujo rompimento Silva não teria conseguido superar, segundo o promotor.

O pai, Roberto Gonçalves, amigo de Eliane, demonstrava tranqüilidade e confiança. Junto com familiares, ele usava a camiseta com a fotografia do filho, o qual chamava de “Nenê”, por ser caçula, e faixas e cartazes por Justiça. Ele e Eliane tiveram três filhos.

Depoimento

Indagado sobre como era a vida perto da família de Dudu, Silva disse que tinha uma relação ‘mais ou menos’ com o menino, mas que os oitos anos de relacionamento com a mãe foram muito bons. Ele negou conhecer os outros três jovens envolvidos no crime – Holly Lee, o irmão dele e uma menina, os dois últimos adolescentes.

Silva disse saber quem são eles, ‘de vista’.

Ele disse que, mesmo após o fim da relação, a ex o procurava, e, durante o tempo que foram casados, ‘tratava Dudu como um filho’.

Indagado se costumava fazer rituais de magia negra, Silva disse que nunca se envolveu com “esse tipo de coisa”. No inquérito policial há informação de que, após ser cometido o assassinato com um golpe de pedra, embaixo de uma árvore, no ‘Manguezal’, onde as crianças do bairro costumavam brincar, o corpo foi carregado até perto do Museu José Antonio Pereira, e lá enterrado.

Após a polícia levantar suspeita contra Silva e destruir o piso da casa dele, no intuito de encontrar o corpo do menino enterrado na residência, o acusado e os adolescentes teriam desenterrado o corpo, carbonizado e picado os ossos, em um ritual de magia negra.

Jornal Midiamax