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Vander: Não é mais só discurso

“Trad está em decadência. O PTB não é aliado. Nunca a Assembléia foi tão prestigiada. Ramez e Pedrossian não assustam”

Arquivo Publicado em 01/01/2000, às 12h00

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“Trad está em decadência. O PTB não é aliado. Nunca a Assembléia foi tão prestigiada. Ramez e Pedrossian não assustam”

Por que uma votação secreta no encontro do PT?
A executiva definiu em reunião porque vamos ter que formar chapa estadual. Então vai ser na cédula. Nós temos 20 pré-candidatos e nossa idéia é defender a composição com o PL, PSL, com esses pequenos partidos que têm sete deputados estaduais. O PT vai ter que definir sua tática amanhã. Dentro dessa tática, também vai ter que definir o número de candidatos. E vamos ter, com certeza, mais candidatos do que o número que nós vamos estar definindo. O critério para reduzir isso vai ser o voto.

O senhor acha que seria um risco a votação aberta na convenção?
Não, não teria nenhum problema. Isso até poderia acontecer para a majoritária. O problema está na proporcional. Existem 20 candidatos para 12, 14 vagas. Então você tem que fazer uma eleição e para isso o mecanismo é a cédula.

O deputado federal Nelson Trad (PTB), em entrevista ao Midiamaxnews, fez sérias críticas ao governador e também se referiu ao senhor como “ex-presidiário”. Qual sua avaliação em relação ao assunto?
Eu acho que não vou dar crédito. Ele é um político em decadência e eu prefiro resolver na Justiça. Vou estar discutindo com o meu partido. Eu fui eleito diretamente por 71% dos filiados do PT e como presidente tenho conduzido a política no sentido de consolidar o governo e construir as alianças. Nós estamos tranqüilos. A Frente Trabalhista, mesmo com a verticalização, fica conosco. Eu não tenho dúvida de que o PT sai unido deste encontro. E estamos numa situação muito favorável. É evidente que não vamos facilitar porque cada eleição é uma eleição. Mas com as alianças que nós estamos construindo, com a credibilidade que o governo tem hoje junto aos sul-matogrossenses, eu não tenho dúvida que nós temos todas as condições de consolidar e reeleger o companheiro Zeca e contribuir muito com a eleição do Lula aqui no Mato Grosso do Sul.

O senhor não acredita que fica uma situação desconfortável já que o PTB participa da Frente Trabalhista que é aliada?
O PTB não é aliado. O PTB é problema da Frente Trabalhista. Hoje, pelo menos, ele não se aliou à Frente Trabalhista. Cabe à Frente Trabalhista tê-lo na Frente ou não. Para nós isso é indiferente. Nós temos um candidato a governador, temos a Frente com aliados históricos nossos, PDT e PPS, com a candidatura do Kohl e Athayde. E vamos para essa eleição com o tamanho de aliança que nós projetamos lá atrás. Ou seja, o Movimento Muda MS, ampliando com PL, PSL e, se possível, o PST e ainda mais alguns pequenos partidos. Era inclusive a aliança que pensávamos para enfrentar o André Puccinelli.

Esses pequenos partidos reivindicam a suplência do candidato do PT ao Senado. Isso é possível?
Acho que é possível desde que eles façam a aliança conosco. Com o PT, eles podem reivindicar a suplência tranqüilamente.

Houve alguma pressão em relação à candidatura de Delcídio do Amaral?
Não. O Delcídio está se legitimando. Enfrentou todos os processos internos dentro do PT, e se filiou ao PT. Houve recurso da candidatura dele e foi aprovada pela direção nacional. Ele veio pra cá e está militando, está visitando os diretórios no Estado e vai para a disputa. É meu candidato, nosso candidato com toda a legitimidade.

Essa não seria mais uma oportunidade para ele (Delcídio) ficar mais oito anos fora do Estado?
Acho que a experiência e o papel que o Delcídio já exerceu em cargos importantes vai nos ajudar muito no Senado. Vai ajudar muito mais ainda o governo do Lula. Eu não tenho dúvida que para o partido, com o Delcídio senador ganha o PT e ganha muito mais o Estado.

A campanha do Zeca hoje seria mais cômoda já que antes ele falava que fazia campanha a pé?
Toda reeleição tem desgaste. Para nós essa é uma eleição mais tranqüila porque temos o que mostrar, não é mais só um discurso. E queremos fazer um debate programático. Vamos fazer comparações com o governo do Wilson do PMDB com o que foi o nosso governo. Nós fizemos coisas em todas as áreas, na área social, na infra-estrutura, na questão da reestruturação do Estado, do saneamento do Estado e então a sociedade vai julgar. Isso que eu acho que nos favorece nessa eleição. Mas, vamos continuar fazendo a mesma campanha militante. O Zeca é uma pessoa que tem facilidade em fazer campanha, é um líder de massa, tem disposição para ir para a rua e estamos muito tranqüilos. O mais difícil para nós é consolidar essas alianças. Não vamos ficar de salto alto. Vai ser uma campanha que vamos ocupar cada espaço de todos os municípios deste Estado.

O governador se considera reeleito?
Ninguém se considera reeleito. Eleição é eleição. Nós vamos trabalhar e construir essa campanha considerando mais uma eleição difícil como todas as eleições que a gente faz.

O senhor é candidato?
Vou colocar o meu nome à apreciação do partido para ser candidato a deputado federal.

O TRE encaminhou ao Ministério Público o processo em que o PSDB denuncia que o senhor foi eleito mesmo com os direitos cassados. Como é visto isso?
Eu ganhei no Tribunal. Todos os meus direitos já estão recuperados e isso é uma coisa superada para mim.Qualquer detalhe maior, os meus advogados estão à disposição.

Uma decisão ao contrário levaria o senhor a deixar a direção do partido?
Eu não preciso deixar a direção do partido. Não tem nenhuma ação que me impede de ser dirigente e hoje isso é uma coisa superada para nós. Eu recebi a solidariedade de todos os setores do partido. Ninguém questionou isso internamente dentro do PT e isso para mim é o que mais vale. Evidente sem desrespeitar o Judiciário, pelo contrário.

Eu gostaria que o senhor comentasse a denúncia do prefeito André Puccinelli (PMDB) em relação à compra de políticos pelo governo.
Tem que citar. Se ele tem alguma coisa, ele que cite quem que foi comprado. Eu acho que o problema nosso é que as pessoas não acreditavam que nós íamos construir a governabilidade no Estado pela postura do PT. Só que nós conseguimos construir, fortalecendo os poderes, fortalecendo à Assembléia, fortalecendo as instituições. Nunca a Assembléia foi tão prestigiada, politicamente falando. Qualquer ato de governo, qualquer inauguração, o governador faz questão de reforçar o apoio e a solidariedade aos deputados.

Não precisou usar dinheiro para sustentar a governabilidade?
Claro que não. O que nós estamos fazendo é no sentido de mantermos a base que dá sustentação no momento mais difícil do governo, apoiando as ações e as medidas. E nós queremos reproduzir isso em uma aliança eleitoral agora.

A dobradinha Ramez e Pedrossian assusta?
Não. Nada se faz individualmente. Campanha é um conjunto. Você tem que ter um governador forte, um candidato a governador que seja uma liderança como nós temos. Historicamente aqui no Estado o candidato a governador sempre fez os senadores. Eu aposto muito nisso. Eu acho que nossos candidatos, tanto o Kohl como o Delcídio têm tudo para crescer durante a campanha e serem os senadores do Lula em Brasília.

Se a direita do PT conseguir manter na convenção o quadro já traçado não ficaria uma situação desconfortável para a outra ala?
A esquerda do partido é fundamental. O PT se consolidou em função das correntes internas. Eles são imprescindíveis para o PT. Tem muita coisa para ser discutida, as forças políticas têm que ser respeitadas. Nós não queremos excluir ninguém. Sou muito otimista e acredito em um fechamento que contemple todas as forças políticas internas do PT. As pré-candidaturas vão ser respeitadas, com certeza.

As últimas reuniões que aconteceram na Governadoria com PDT, PPS e outros partidos não configuram uso da máquina pública?
Não. Fizemos uma reunião política, uma reunião de trabalho. O Zeca ainda não se colocou como candidato, só a partir de segunda-feira (10/06). As reuniões foram procedimentos normais de agenda que é o dia-a-dia do governo.

Jornal Midiamax