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Baleamento de menor põe em xeque a Guarda Municipal

Segundo o comandante geral da Polícia Militar, Cel. José Ivan de Almeida, a responsabilidade pelo crime é da Prefeitura

Arquivo Publicado em 01/01/2000, às 12h00

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Segundo o comandante geral da Polícia Militar, Cel. José Ivan de Almeida, a responsabilidade pelo crime é da Prefeitura

O baleamento de F.P.G., de 16 anos de idade, ocorrido ontem, em frente ao Horto Municipal de Campo Grande está suscitando uma discussão mais ampla: as atribuições da Guarda Municipal e quem a controla. O menor foi baleado pelo sargento José Francisco da Silva, que é da reserva, e membro da Guarda. José ainda está foragido, e o menor encontra-se internado, em estado grave, na Santa Casa, com uma bala alojada na cabeça.

Como resultado imediato, o chefe da Guarda Municipal de Campo Grande, tenente aposentado Benedito Xavier, está detido no Comando-Geral da Polícia Militar. Segundo a assessoria de imprensa da PM, a ordem de prisão foi determinada pelo Comandante-Geral da PM no Estado, coronel José Ivan de Almeida. O tenente foi preso por permitir que os guardas usem armas de fogo, o que é proibido.

PM NO ATAQUE – O Coronel Ivan de Almeida disse há pouco, em contato com a redação do MidiamaxNews, que vai pedir a extinção do convênio entre a Polícia Militar e a Prefeitura Municipal de Campo Grande: “Estes homens não estão preparados para efetuar este tipo de trabalho. Muito menos armados. Fomos contra este convênio desde o início. Não somos responsáveis pelo que aconteceu. O responsável é o prefeito”, disse o coronel.

O comandante da Polícia Militar disse ainda que vai pedir que o sargento seja excluído da Guarda: “Essas pessoas entraram na Guarda sem nenhum tipo de preparo especial. A prefeitura paga uns R$ 300, R$ 350, pra não ter que contratar outros serviços de segurança mais capacitados”.

PREFEITURA REBATE – De acordo com a assessoria de imprensa da Prefeitura Municipal de Campo Grande, cabe à Polícia Militar efetuar um inquérito interno para apurar as responsabilidades do caso: “Como o sargento era policial militar da reserva, cabe à PM efetuar o inquérito interno”.

Ontem, a assessoria havia informado que a responsabilidade sobre a Guarda Municipal seria da própria PM. Hoje, a informação foi outra: “Quem administra a Guarda Municipal é a prefeitura. No entanto, como agregamos homens da reserva tanto da PM quanto do Corpo de Bombeiros e das Forças Armadas, dividimos responsabilidades com estas instituições”.

RESPONSABILIDADES – A preocupação maior da prefeitura, ao que parece, é desqualificar a vítima. Em contato com o MidiamaxNews, por duas vezes, bateu-se na tecla de que F.P.G. teria diversas passagens pela polícia, e que já teria dado entrada na Santa Casa, no ano passado, vítima de baleamento: “Ele não é nenhum santo”, disseram.

A discussão sobre este caso precisa ter outro foco senão o político. Mas deve também estar atenta à questão da legalidade. Importa muito pouco se o menor baleado estava ou não furtando uma bicicleta. O próprio Coronel Ivan, em entrevista a Rádio CBN, disse duvidar desta versão. Importa pouco também se ele é ou não “santo”. O que importa é o fato de que 177 Guardas Municipais podem estar circulando pela Capital, com poder de polícia, sem a devida capacitação. Neste caso, os responsáveis devem colocar os melindres de lado, assumir suas responsabilidades, e encontrar um modo mais “seguro” de levar segurança à população.

Jornal Midiamax