O Fluminense mais uma vez terá o Maracanã como palco de sua luta pelo inédito título da Copa Libertadores e a primeira conquista continental de sua história. Depois de perder a final para a LDU, em 2008, e ser derrotado novamente pelos equatorianos na decisão da Copa Sul-Americana, no ano seguinte, os cariocas enfrentam o Boca Juniors neste sábado, às 16h (horário de Brasília), buscando exorcizar os traumas anteriores para alcançar a Glória Eterna.

A Libertadores tornou-se uma obsessão para os tricolores não somente pela possibilidade de erguer a taça pela primeira vez, mas também pelo melancólico revés ocorrido 15 anos atrás. Depois de ser derrotado fora de casa por 4 a 2 pela LDU, o Fluminense venceu de virada, por 3 a 1, com três gols de Thiago Neves, e levou a decisão para os pênaltis. Os comandados de Renato Gaúcho acabaram sendo derrotados na marca da cal pelo mesmo placar, com Thiago Neves, Conca e Washington errando suas cobranças, deixando 86 mil pessoas engasgadas no Maracanã.

Coincidentemente, Fluminense e LDU reeditaram a final um ano depois, em 2009, pela Copa Sul-Americana. No confronto de ida, o time carioca sofreu com a altitude de Quito e perdeu o confronto de ida por 5 a 1. No duelo de volta, novamente no Maracanã, a equipe tricolor venceu por 3 a 0, ficando a um gol de levar o confronto para os pênaltis, e viu novamente o clube do Equador dar a volta olímpica no Rio. A LDU se sagrou bicampeã da Sul-Americana no último sábado, ao derrotar o Fortaleza nos pênaltis, por 4 a 3, depois de empate por 1 a 1 no tempo normal

Caso vença a decisão, o Fluminense se tornaria o 26º clube a conquistar a Libertadores, o décimo no Brasil. O Boca, por sua vez, tenta igualar o número de troféus do também argentino Independiente (7) e se tornar o maior campeão do torneio. Os países já decidiram a competição 15 vezes, com seis vitórias brasileiras e nove argentinas. Ao todo, são 25 títulos da Argentina, contra 22 do Brasil. Uruguai (8), Colômbia (3), Paraguai (3), Chile (1) e Equador (1) também já tiveram equipes campeãs.

DOLCE LEMBRANÇA

Apesar de ter ficado com o vice, a campanha na Libertadores de 2008 guarda momentos emblemáticos para os torcedores do Fluminense. Um deles é justamente os confrontos com o Boca Juniors na semifinal daquele ano. Na Argentina, Riquelme marcou duas vezes para os donos da casa, mas Thiago Neves e Thiago Silva garantiram o empate fora de casa. No Maracanã, a equipe tricolor saiu atrás do placar, virou para 3 a 1 e garantiu a classificação para a final inédita, eliminando os atuais campeões, repetindo um feito que apenas o Santos de Pelé havia conseguido.

Washington, que havia sido o herói da classificação nas quartas de final contra o São Paulo, marcou o gol de empate no Maracanã contra o Boca. Conhecido pelo faro artilheiro dentro da grande área, o centroavante surpreendeu a todos ao acertar uma linda cobrança de falta. Aos 48 anos, ele atualmente trabalha como secretário executivo de Esportes em Sergipe.

“O jogo estava muito difícil. Eu não era um exímio batedor de falta, mas eu treinava muito. Mas eu estava confiante”, relembra Washington. “Naquele ano nós fizemos história. Infelizmente não conseguimos o título, mas o torcedor tem um grande carinho com a gente. Fico muito feliz por estar no rol de ídolos e resgatar a paixão do tricolor pelo Fluminense”.

Se o Fluminense de 2008 tinha nomes de peso, como Thiago Silva, Thiago Neves, Conca, Dodô e o próprio Washington, o time de 2023 não fica atrás e conta com a experiência de Marcelo, Fábio, Felipe Melo e Ganso, além do artilheiro Cano e da joia André. À beira do gramado, Fernando Diniz faz trabalho de destaque, que o levou a ser escolhido pela CBF para ser o treinador interino da seleção brasileira. Para Washington, o Fluminense atual se assemelha com o de 15 anos atrás pelo fato de jogar visando o ataque e, por isso, é favorito ao título. Contudo, ele ressalta os perigos do adversário.

“Estou muito confiante de que o título virá esse ano, apesar de o Boca ser um grande adversário. É um time multicampeão, acostumado a títulos”, diz. “Eles vão se fechar, marcar forte, ‘catimbar’ o jogo e, se precisar, levar para os pênaltis, como fizeram nas últimas fases. O Fluminense tem que se preocupar em não levar gol. Essa será a maior dificuldade.”

TERROIR DOS BRASILEIROS

O Boca Juniors de 2023 está longe de ser aquela equipe que encantou o futebol sul-americano nos anos 2000, mas o peso de sua camisa e a capacidade de controlar as emoções das partidas, sempre apoiados pela fanática torcida, fizeram a equipe chegar à final da Libertadores, mesmo que aos trancos e barrancos. O time argentino se classificou nas penalidades em todas as fases eliminatórias, eliminando o Palmeiras, no Allianz Parque, na semifinal.

Na história da Libertadores, o Boca Juniors disputou seis finais contra equipes brasileiras e saiu vitorioso em quatro oportunidades: em 2007, 2003, 2000 e 1977, tendo como vices Grêmio, Santos, Palmeiras e Cruzeiro, respectivamente. Os únicos times brasileiros a derrotarem o Boca em uma decisão de Libertadores foram o Corinthians, em 2012, e o Santos de Pelé, em 1963. Em 2012, o Fluminense enfrentou os argentinos nas quartas de final e foi eliminado ao empatar por 1 a 1, no Rio, depois de uma derrota por 1 a 0 em Buenos Aires.

Os destaques da equipe são o experiente goleiro Sergio Romero, que defendeu ao menos duas cobranças em todas as disputas por pênaltis na edição deste ano, o astro Edinson Cavani, segundo maior artilheiro da seleção uruguaia, e a promessa Valentín Barco, de apenas 19 anos, mas considerado o melhor jogador do time. À imprensa argentina, a revelação demonstra confiança às vésperas do confronto e afirma que o Boca vai se sentir “em casa” no Maracanã.

A finalíssima da Copa Libertadores 2023 acontece neste sábado, às 16h (horário de Brasília), no Maracanã. O duelo será decidido em jogo único. Em caso de empate no tempo normal e na prorrogação, a disputa irá para os pênaltis. O confronto será transmitido pela Globo (TV aberta), ESPN (canal fechado) e Star + (streaming).