Jornal Midiamax

Dona Ramona e o marido viram momento em que chuva rachou parede e levou janela embora

 



 

 

Obras de recuperação

Em julho de 2020, o Governo do Estado anunciou grandes investimentos no município para contenção de enchentes, com um projeto de recuperação da estrutura do dique. Neste caso, a obra orçada em R$ 1,6 milhão contemplaria a restauração e reforço da cortina de contenção do dique construído às margens do Rio Paraguai na década de 1980. 

No entanto, na região da periferia, os moradores falam que a água não vem da cheia do Rio Paraguai, mas sim de um valetão que existe nas proximidades, na parte mais alta. Desta forma, quando enche, a água se dispersa para cidade e atinge, principalmente, os moradores do bairro Cohab.

Situação de emergência

Em 2020, um decreto estadual manteve a cidade em situação de emergência durante todo o ano. Na ocasião, houve recomendação da Estadual e o documento ainda falava sobre o início das cheias no Pantanal, o que poderia causar o agravamento da situação. 

Já em 2017 e início de 2018, as enchentes deixaram centenas de pessoas desabrigadas. O coordenador estadual da Defesa Civil, Fábio Catarineli, ressaltou em entrevistas que o bairro Cohab estava “com água acima dos joelhos” em ao menos três quadras, sendo também o mais atingido pelas fortes chuvas. 

Bombeiros, Defesa Civil e Exército ajudaram vítimas da enchente em Porto Murtinho (MS). Crédito: Redes Sociais/Reprodução

 

Enchente histórica na década de 80

Porto Murtinho é uma cidade situada às margens do Rio Paraguai, desta forma, associada à natureza, a população é influenciada também pelo ritmo das águas e costumes fronteiriços. De 1979 a 1982, a cidade foi atingida por sucessivas enchentes, o que causou alteração no espaço urbano e fez o setor público planejar a construção do dique para contenção das águas. 

No arquivo histórico da cidade, consta que, além do quebracho que trouxe muito desenvolvimento para a região, as enchentes sempre trouxeram transtornos e por isso houve a construção do dique. A obra, inaugurada em 1985, inclusive, foi palco de denúncias de desvios de dinheiro na ocasião e evitou outra grande enchente, com a cheia do Rio Paraguai em 1988.

O que diz a prefeitura

O Jornal Midiamax questionou o prefeito do município, Nelson Cintra, sobre a situação dos moradores do bairro Cohab, principalmente na rua Carandá. Ele ressaltou que a chegada da rota bioceânica já trouxe novos recursos para o município, incluindo o projeto de limpeza dos canais de , o que vai ajudar no escoamento da água.

Prefeitura diz que vai fazer limpeza dos canais de drenagem em Porto Murtinho. Crédito: Redes Sociais/Reprodução

“Estamos em um momento diferenciado em Porto Murtinho, já que o município precisa de muita estrutura para a questão da rota bioceânica. Houve demora para licitar a ponte, mas, estamos com R$ 10 milhões em recursos destinados para drenagem e também limpeza destes canais. Isso vai dar um alívio para a população. Também temos a reconstrução do dique e estamos muito empenhados neste projeto”, alegou. 

Sobre o bairro Cohab, Cintra fala que se trata de um local insalubre e, mesmo assim, os moradores não querem sair de lá. “Quando chove de 50 a 80 milímetros já inunda tudo por lá. Nós temos trabalho especial neste sentido, já tentamos tirar o pessoal e levar para um lugar mais alto, principalmente na rua Carandá, só que eles não querem sair de lá e a luta envolve toda uma questão de sensibilidade”, finalizou.