O cenário positivo da cultura da soja registrado nos primeiros dias de abril para o agricultor de Mato Grosso do Sul pode se estender pelos próximos meses. Isso porque as condições climáticas na Argentina seguem desfavoráveis para a colheita, no terceiro país que mais produz soja no mundo.

Boletim divulgado nesta quinta-feira (11) pelo Inta (Instituto Nacional de Tecnologia e Agropecuária) da Argentina revela que chuvas acima da média na região nordeste do país e calor no centro-norte são responsáveis por problemas na colheita.

Na semana passada, conforme o boletim, a região de Corrientes registrou 138 mm de chuva, volume maior do que a média histórica da região, o que fez com que a colheita da soja fosse suspensa em algumas áreas é superior ao que acontece historicamente na região, o que limitou o avanço da colheita em algumas áreas.

O relatório do Inta também indica que, na semana entre 12 e 16 de abril, estão previstas chuvas significativas em áreas críticas para a agricultura argentina, o que pode limitar ainda mais as atividades de colheita.

Crise na argentina é favorável para o Brasil

Em contrapartida ao cenário argentino, a soja em Mato Grosso do Sul tem sido valorizada nas últimas semanas. No intervalo de um mês, o preço da saca da soja aumentou 26% no Estado.

No começo do mês, a saca de 60 kg chegou a ser comercializada ao valor de R$ 115,00 na cidade de Dourados, maior valor registrado no Estado.

A mudança no preço de comercialização favorece os produtores, que há meses vinham enfrentando valores baixos, e é impulsionada principalmente pelo câmbio, que está acima dos R$ 5,00. Com o dólar em alta, a desvalorização da commodity no mercado internacional acaba sendo freada em relação à moeda brasileira.

O pesquisador Mauro Osaki, da área de custos agrícolas do Cepea/USP (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada/Universidade de São Paulo), disse ao Jornal Midiamax que a elevação nos preços “vai aliviar um pouco a rentabilidade do produtor”.

“A pequena valorização que está sendo observada agora da soja claro que vai aliviar um pouco a rentabilidade do produtor, de ficar ‘menos pior’, vamos falar assim”, analisou em entrevista ao Jornal Midiamax. No entanto, a conta não é tão simples, como detalha o especialista. 

“O problema maior de todos os efeitos dessa safra, o efeito mais negativo que tem proporcionado a muitos produtores, é que eles não colheram aquilo que eles esperavam. Embora o custo tenha reduzido em relação à safra 2022/23, com grande redução de preço dos fertilizantes e outros insumos, isso não foi suficiente para o produtor rural conseguir saldar suas contas porque nós tivemos retração do preço da soja nesse primeiro bimestre em relação à safra passada e uma retração muito forte na produtividade”, detalha Osaki.

No caso de Mato Grosso do Sul, isso quer dizer que o produtor rural acumula contas desde o ciclo passado, e sem conseguir produzir tanto quanto precisava devido às perdas nas lavouras causadas pela estiagem, o lucro dele diante da valorização no preço da soja não será tão grande quanto poderia.