O Fundo Monetário Internacional (FMI) anunciou nesta terça-feira, 10, nova elevação da perspectiva de crescimento do Brasil neste ano, que deve avançar 3,1% – ante 2,1% pela estimativa anterior, divulgada em julho. Se o organismo estiver certo, o primeiro ano da gestão do presidente Luiz Inácio da Silva será melhor do que o último do governo de Jair Bolsonaro. Em 2022, o País cresceu 2,9%.

“A revisão em alta para 2023 desde julho reflete um crescimento mais forte do que o esperado no Brasil, impulsionado pela agricultura dinâmica e serviços resilientes no primeiro semestre de 2023”, justificou o FMI, acrescentando que “o consumo também permaneceu forte, apoiado por medidas de estímulo fiscal”.

O FMI também melhorou a projeção do Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil para 2024, mas, ainda assim, vê a economia crescendo menos do que neste ano. O Fundo espera que o PIB apresente avanço de 1,5%, ante a previsão anterior de 1,2%. As novas projeções constam do relatório Perspectiva Econômica Mundial (WEO, na sigla em inglês), divulgado ontem, às vésperas da reunião anual do Fundo, que acontecerá em Marrakesh (Marrocos).

Inflação

O cenário desenhado pelo FMI coloca o Brasil em ritmo superior ao do crescimento esperado para a economia global neste ano, de 3%, mas abaixo do previsto para o conjunto de países emergentes e em desenvolvimento, de 4%. Economias como China, Índia e devem crescer em ritmo superior ao do Brasil na visão do Fundo. No longo prazo, porém, o País deve seguir crescendo de forma tímida. O Fundo prevê alta de 2% do PIB nacional em 2028.

O FMI projeta queda da inflação no Brasil em 2023, ficando em 4,7%, ante 9,3% em 2022. E também no próximo ano, em 4,5%. “A recente decisão do Brasil de adotar uma meta contínua (em vez de ano-calendário) de inflação de 3% a partir de 2025 é um exemplo concreto de uma melhoria na eficácia operacional e na estratégia de comunicação, ajudando a reduzir a incerteza e a aumentar a eficácia da política monetária”, diz o FMI, no relatório.

Durante fórum voltado a mercados emergentes, ontem em Marrakesh, o presidente do (BC), Roberto Campos Neto, afirmou que o Brasil está se saindo bem no que chamou de transição das políticas monetária e fiscal. “O Brasil está indo bem nessa transição, teve boas revisões de crescimento, o novo arcabouço fiscal aprovado.”

‘Perturbação’

Segundo ele, se os gastos públicos não forem monitorados com cuidado nesse processo de desinflação os mercados podem sofrer disrupções antes mesmo de a batalha contra a inflação ser concluída. “Os governos precisam começar a endereçar os aspectos fiscais. Nós estamos supercoordenados na política monetária, mas não na fiscal.”

Essa falta de coordenação, observou, começa a afetar as economias avançadas. “Se isso não for resolvido, podemos ter uma perturbação nos mercados antes mesmo de o processo de desinflação ser concluído”, disse, lembrando que os elevados montantes de dívidas nas economias avançadas já estão cobrando o seu preço nos mercados.